Quem é Augusto Lima, dono do Banco Pleno e alvo de nova operação no caso Master

Empresário passou a ser alvo de buscas da Polícia Federal em operação realizada nesta quinta-feira, 18, que também atingiu o líder do governo no Senado, Jaques Wagner; defesa de Lima ainda não se manifestou

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Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira, 18. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão contra o empresário no âmbito de uma investigação que também atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.

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Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências realizadas pela Polícia Federal são desnecessárias, argumentando que o empresário está há cerca de seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados.

Segundo a defesa, as medidas adotadas devem “contribuir para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos”. Os advogados sustentam ainda que Lima sempre atuou “dentro dos limites da lei, com transparência e responsabilidade técnica”, em conformidade com as normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.

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Lima tem 46 anos, é natural de Salvador e está casado há dois anos com a ex-deputada federal Flávia Peres, que foi ministra-chefe da Secretaria de Governo do Brasil de 2021 a 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro.

O banqueiro é próximo de figuras do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, como os ex-governadores Rui Costa, que hoje é ministro da Casa Civil, e Jacques Wagner, que atualmente é senador. Ele também mantém boa relação com figuras do centro e da direita no Estado, como os ex-deputados federais Antonio Carlos Magalhães Neto (União-BA) e João Roma (PL-BA).

Augusto Lima é ex-sócio do Banco Master. Foto: Divulgação/Banco Master

Em 2018, Lima ganhou destaque no setor bancário ao arrematar a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), após dois leilões sem interessados, em uma privatização realizada na Bahia durante o governo de Costa. A operação incluiu a empresa de crédito consignado Credcesta. A Ebal era dona da rede estatal de supermercados Cesta do Povo, voltada à venda de produtos populares com preços subsidiados. Lima mantém o negócio de varejo em operação no Estado.

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Após o leilão, o governo da Bahia autorizou servidores públicos e pensionistas a realizarem compras no Cesta do Povo com recursos do Credcesta, que também obteve permissão para ampliar suas operações financeiras. Com isso, a empresa cresceu rapidamente.

No ano seguinte, Lima se tornou sócio do Master, que incorporou o Credcesta. A operação atendeu a dois objetivos principais: o Credcesta buscava ampliar sua atuação, enquanto o Master pretendia alcançar as classes mais populares.

Em maio de 2024, Lima se desligou de todas as funções executivas do Master e vendeu sua participação à Vorcaro, inicialmente com a intenção de montar uma operação própria.

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Em agosto do ano passado, o BC anunciou a aprovação da transferência do controle societário do Banco Voiter, então integrante do conglomerado do Master, para Lima. A instituição passou a operar sob o nome de Banco Pleno. Três meses depois, o Master foi liquidado extrajudicialmente pela autarquia.

O objetivo do Pleno era atuar no segmento de crédito consignado. À época, o banco obteve aprovação para dois aumentos de capital, de R$ 80 milhões cada, promovidos por Lima, além de operações com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Apesar de ter se desligado do Master em 2024, Lima foi preso em 18 de novembro de 2025 pela Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Master. No mesmo dia, o banco foi liquidado extrajudicialmente pelo BC.

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Na ocasião, a defesa afirmou ter recebido a operação “com absoluta surpresa”, destacando que Lima “já havia se desligado definitivamente de todas as suas funções executivas no Master em maio de 2024”. Ele foi solto cerca de duas semanas depois, por decisão judicial.

Além da liquidação extrajudicial do Pleno, o BC também estendeu o regime especial à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (Pleno DTVM), que integra o grupo.

“A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil”, informou a autarquia.

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Na nova fase das investigações, a Polícia Federal apura a suspeita de que Augusto Lima também teria atuado na operação fraudulenta de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).

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