Economistas com passagens pelo setor público que participaram nesta terça-feira, 6, de um fórum do agronegócio avaliaram que a política comercial errática dos Estados Unidos tende a frear significativamente o crescimento da economia global. Eles consideraram, porém, que uma recessão no mundo, embora não possa ser descartada, ainda não é o cenário mais provável.
O fórum ocorreu em evento realizado pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) — Sistema CNA/Senar —, em parceria com o Estadão e o Broadcast, em São Paulo.
Economista, colunista do Estadão e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central (BC), Alexandre Schwartsman chamou atenção às perdas de produtividade pela fragmentação do comércio internacional. “Num prazo mais longo, o ritmo de crescimento econômico não depende de estímulo econômico, depende de produtividade”, afirmou. “E, num mundo em que o comércio internacional perde peso, vamos ver a reversão dos ganhos da globalização, talvez não completa mas parcialmente. A perda de produtividade vai levar a um crescimento mais baixo daqui para frente.”

Para o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional, é difícil prever o impacto das tarifas de Trump na economia mundial porque ninguém sabe qual será a nova estrutura tarifária e quais serão os acordos dos Estados Unidos.
Por ora, porém, o mercado opera com certo otimismo, apostando que os países chegarão a um meio-termo, tendo em vista que os Estados Unidos, um país que depende de importações, não conseguirão sustentar as tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump.
“Espera-se que em algum momento se chegará ao meio-termo. Em cenário de guerra comercial, a desaceleração será muito maior, com impacto no Brasil”, afirmou Mansueto. “Por enquanto, não é cenário de recessão e de guerra comercial.”
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No mesmo painel, Elena Landau, colunista do Estadão e ex-diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), falou sobre o risco de a desaceleração econômica ser enfrentada com injeções de liquidez, a exemplo da solução, que deu certo, na crise financeira internacional, de 2008, e na pandemia, em 2020.
“O Brasil tem a crença de que pode resolver tudo gastando mais (...) A reação é que preocupa porque pode vir mais gasto”, afirmou Landau. “Tudo indica que vamos a uma fase de crescimento menor. Como o governo vai reagir, em uma eleição que já começou? Esta é uma grande incógnita.”







