Rubens Ricupero analisa impacto das tarifas de Donald Trump imposta ao Brasil
Rubens Ricupero avalia as medidas do presidente dos EUA e aponta os caminhos para o governo brasileiro.
O setor privado brasileiro está se organizando para ir aos EUA negociar com empresas daquele país medidas a serem adotadas por conta do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros a partir de agosto, anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo Raul Jungmann, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a proposta foi levada ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na tarde desta segunda-feira, 21.
“Já tínhamos essa intenção, e o vice-presidente apoiou a ideia do setor privado brasileiro conversar com o setor privado nos EUA e, havendo disposição, também com o Congresso e o governo norte-americano”, afirmou Jungmann.

Num primeiro momento, devem participar da viagem as empresas associadas ao Ibram, que abriga mineradoras, siderúrgicas, empresas de engenharia e outras. Há porém a possibilidade de diferentes setores também fazerem parte da comitiva, como sugerido pelo vice-presidente. Na tarde desta segunda, 21, faziam parte da reunião com Alckmin 132 representantes do setor de mineração. Entre elas, Vale, Samarco, Anglo American, AngloGold Ashanti e ArcelorMittal.
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Alckmin afirmou aos empresários do setor que o governo brasileiro dá preferência ao diálogo com os EUA para, pelo menos, conseguir mais prazo para a vigência das tarifas, “entre 60 e 90 dias”, para haver tempo hábil para negociar as várias questões envolvidas com a questão tarifária.
Ele disse que há produtos embarcados do Brasil para os EUA, inclusive perecíveis, e contratos sendo firmados com compradores norte-americanos e este maior prazo pode ser importante para evitar transtornos. Alckmin afirmou na reunião que considera a atual situação um “perde-perde para ambos os países”, e que espera convencer os EUA sobre esse risco à relação histórica entre as duas nações.
De acordo com Jungmann, apesar de o cenário em relação à sobretaxa ainda estar bastante incerto, as empresas “ficam no aguardo mas vão tomando providências”. Isso porque há um fluxo de produção, logística e contratual que precisa ser respeitado e que tem impactado cada empresa de forma diferente.
No caso da mineração, os EUA respondem por 20% das importações e 3,5% das exportações do setor. “Principalmente as importações geram grande preocupação”, diz ele. Isso por conta da perspectiva de reciprocidade, que pode encarecer custos da área. Além de minério, o setor importa máquinas pesadas, como caminhões acima de 100 toneladas de capacidade de carga, escavadeiras e carregadeiras, moinhos e outros equipamentos de grandes dimensões.
Cada setor tem cartas que pode levar à mesa para as negociações. No caso da mineração, por exemplo, a produção de terras raras, essenciais à tecnologia, inovação e defesa, vinha sendo negociado pelo governo Biden e também interessa a Trump. “O interesse dos EUA permanece em minerais críticos estratégicos”, afirma.




