Tarifaço: fabricantes de móveis de Santa Catarina dão férias coletivas a 3 mil trabalhadores

Presidente do Sindusmobil, que reúne 398 empresas, não descarta a possibilidade de demissões, se sobretaxa dos EUA de 50% sobre os móveis for mantida

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Foto do autor Márcia De Chiara
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Indústrias de móveis de São Bento do Sul, no norte de Santa Catarina, o principal polo exportador do setor do País, deram férias coletivas para cerca de 3 mil funcionários.

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A decisão de ajustar a produção ocorreu depois da suspensão de pedidos de compradores dos Estados Unidos em razão do tarifaço de Donald Trump. No ano passado, as empresas da região exportaram US$ 123,4 milhões. E os Estados Unidos responderam por 62% das vendas externas.

Luiz Carlos Pimentel, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul (Sindusmobil), que reúne 398 fabricantes do setor, espalhados pelos municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre, conta que os importadores dos Estados Unidos pediram para segurar os embarques desde que o tarifaço de 50% foi sinalizado por Trump, em 9 de julho.

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A interrupção no fluxo de exportação para os EUA afeta a produção de indústrias que vendem para o mercado americano. Entre 30% e 40% dos fabricantes têm negócios com os EUA.

Fabricantes de móveis de Santa Catarina que exportam para os EUA deram férias coletivas em reação ao tarifaço de 50% Foto: Sindusmobil/Divulgação

No momento, Pimentel diz que 15 indústrias decidiram dar férias coletivas de duas semanas a cerca de 3 mil funcionários. As empresas da região que, além dos EUA produzem para outros mercados, empregam 7 mil pessoas. Na prática, a paralisação contempla linhas de produção voltadas para o mercado americano.

A paralisação é uma alternativa que as companhias encontraram para reduzir o fluxo de mercadorias e não acumular estoques, enquanto não há uma solução para a retirada da sobretaxa de 50%.

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Demissões

Até o momento, o presidente do Sindusmobil diz que não houve demissões. “Mas, se esse quadro for mantido e os clientes americanos não autorizarem os embarques ou não colocarem novos pedidos, deverá ter um ajuste nos quadros.”

Pimentel observa que um redirecionamento da produção destinada aos Estados Unidos para outros mercados seria uma alternativa para atenuar as perdas provocadas pela sobretaxa. No entanto, essa readequação demoraria algum tempo.