A Escola da Inteligência reuniu especialistas de diferentes áreas para um debate sobre saúde mental infantojuvenil. Foto: Divulgação/Escola da Inteligência
Foto: Divulgação/Escola da Inteligência

Ansiedade entre jovens dispara e inspira iniciativa pioneira de cuidado socioemocional

No Setembro Amarelo, a campanha “E se a gente começasse pelo sentir?”, promovida pela Escola da Inteligência, propõe ampliar o diálogo sobre saúde mental, tecnologia e vínculos familiares

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Por Escola da Inteligência e Estadão Blue Studio
Atualização:

Vivemos transformações intensas: as redes sociais, o avanço da inteligência artificial e o pós-pandemia impactam diretamente a saúde emocional das novas gerações. No Brasil, dados da Rede de Atenção Psicossocial, do Sistema Único de Saúde (SUS), mostram que, em 2023, a taxa de ansiedade entre jovens de 15 a 19 anos chegou a 157 casos por 100 mil pessoas — superando, pela primeira vez, a incidência registrada em adultos. Entre crianças de 10 a 14 anos, o crescimento também foi expressivo: de 3,5 em 2013 para 125,8 em 2023.

É nesse cenário que surge a campanha ‘E se a gente começasse pelo sentir?’, lançada no Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental. A iniciativa da Escola da Inteligência busca ampliar o olhar para a saúde socioemocional, indo além da sala de aula e envolvendo famílias, escolas e especialistas em um movimento coletivo de cuidado e prevenção.

Entre as frentes da campanha está uma roda de conversa com convidados de diferentes áreas, que dão luz aos principais desafios da atualidade. A juíza da Vara da Infância e Juventude do RJ, Vanessa Cavalieri, lembra que “muitas vezes, quando crianças e adolescentes não conseguem se comunicar verbalmente, eles falam pelo comportamento. Por isso, a atenção aos sinais faz toda a diferença.” Já o filósofo e psicanalista Emanuel Aragão aborda outro tema difícil e importante, a violência: “essa é uma forma equivocada, trágica, de expressar uma necessidade legítima que não foi atendida. Por isso, é essencial criar vínculos saudáveis e ambientes de qualidade, na escola e na família, para que crianças e adolescentes possam se sentir seguros e acolhidos”.

Durante o papo, assuntos como riscos digitais e isolamento social ganham destaque. A juíza Vanessa Cavalieri alerta que a possibilidade de uma criança ou adolescente encontrar um criminoso perigoso no ambiente virtual é muito maior do que se fosse sozinha à padaria. “E, no entanto, deixamos que eles circulem nas redes sem supervisão adulta, expostos a uma série de riscos”, constata.

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Outro ponto em evidência é a relação entre tempo de tela, socialização e desenvolvimento infantil. “Brincar em grupo ensina cooperação e reduz comportamentos de dominação. Sem essas vivências, vemos adolescentes que não conseguem mais jogar em equipe e que, muitas vezes, transformam essa dificuldade em bullying e violência”, explica o filósofo e psicanalista Emanuel Aragão.

Já Carol Fernandes, especialista em autoestima materna, reforça a importância de observar os sinais. “Quando não há comunicação direta, o comportamento fala. E cabe à família e à escola ter esse olhar atento, para perceber quando algo está fora do normal e oferecer apoio”, diz.

A iniciativa também destaca fatores urgentes como, por exemplo, a adultização precoce, marcada pela pressão estética e de performance. “O uso excessivo de telas e a pressão digital encurtam fases importantes do desenvolvimento, podendo gerar déficits de autoestima e habilidades sociais”, explica Francila Freitas, gerente de produto da Escola da Inteligência. A especialista ainda completa que “a educação socioemocional é um eixo essencial de proteção.

Quando crianças e adolescentes têm espaço seguro para falar sobre o que sentem, desenvolvem ferramentas de autorregulação, empatia e capacidade de construir bons relacionamentos.”

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Para Nathalia Coutinho, head de marketing da EI, a campanha reforça o compromisso da instituição em ampliar o diálogo. “Entendemos que nossa mensagem não poderia ficar restrita às escolas parceiras e a campanha leva a pauta da saúde mental para a sociedade”, finaliza.

Um ecossistema de apoio

Com 15 anos de trajetória, a EI se consolidou como pioneira em educação socioemocional no Brasil. Criada pelo psiquiatra e escritor Augusto Cury, está presente em mais de 1000 escolas, impactando em torno de 300 mil alunos e alcançando mais de um milhão de pessoas durante todos seus anos de história.

Com 15 anos de história e 15 anos à frente, a proposta da EI inclui consultoria pedagógica, currículo socioemocional personalizado da educação infantil ao ensino médio e formação de professores. Ferramentas como o EI Pulso, que permite acompanhar em tempo real os estados emocionais dos alunos, e a Rede da Inteligência, que conecta milhares de professores em todo o Brasil, são exemplos de como a inovação pode apoiar escolas e famílias a agir de forma preventiva.

Como resume Francila Freitas, o objetivo final é oferecer às crianças e adolescentes um repertório emocional desde cedo, para que enfrentem os desafios da vida com equilíbrio e empatia.

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