Quem é o médico escolhido por Tarcísio como novo reitor da USP

Professor da Faculdade de Medicina, Aluísio Segurado teve maioria dos votos na assembleia universitária e encabeçou lista tríplice enviada ao governador

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Foto do autor Renata Cafardo
Atualização:

O professor Aluísio Segurado, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), foi escolhido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para ser o novo reitor da instituição. Na semana passada, ele foi o candidato mais votado na eleição para reitor e, por isso, encabeçou a lista tríplice enviada ao governador, a quem cabe a palavra final.

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Segurado, de 68 anos, fez parte da atual gestão, de Carlos Gilberto Carlotti Junior, como pró-reitor de Graduação. Infectologista, ele se formou em Medicina pela USP em 1980, ano em que atuou como voluntário em Marabá, no Pará, o que fez ele se interessar por doenças infecciosas.

Na própria USP, fez mestrado e doutorado e seguiu a carreira acadêmica. Entre seus temas de pesquisa, estão a retrovirologia e as pessoas que convivem com HIV - Segurado teve papel importante no enfrentamento da epidemia no Brasil.

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Aluísio Segurado é médico infectologista. Foto: Felipe Rau/Estadão

Na pandemia de covid-19, ele dirigiu o Instituto Central do Hospital das Clínicas. Para o professor, a mobilização da universidade nesse período, que envolveu médicos e professores, do atendimento a pacientes até a criação de novos respiradores, foi um exemplo claro da importância da USP para o Brasil.

Entre os desafios para o cargo, ele aponta o financiamento. Com a reforma tributária, a partir de 2026, deixará de existir gradualmente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Desde 1989, a universidade, a mais importante da América Latina, recebe 5% da arrecadação do tributo do Estado. O orçamento da instituição em 2025 foi de R$ 9,15 bilhões. A partir de agora, os valores e a origem dos recursos terão de ser discutidos pelo novo reitor ou reitora com o governo do Estado.

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“A autonomia das universidades estaduais paulistas é única e foi responsável pelo desenvolvimento do ecossistema de ciência e tecnologia do Estado”, disse Segurado, em entrevista ao Estadão. Diferentemente de USP, Unicamp e Unesp, as demais universidades estaduais não têm autonomia orçamentária e dependem de repasses (e sofrem com bloqueio de verbas) do Ministério da Educação (MEC).

Além disso, a contratação recente de mais de 900 novos professores para a universidade - movimento inédito na última década, após anos de déficit de profissionais - traz uma oportunidade de inovação no ensino, na visão dele.

Segurado acredita que os novatos podem mais facilmente incorporar tecnologias, adotar metodologias ativas centradas no aluno, promover currículos interdisciplinares e ainda rever as formas de avaliação, principalmente por causa da inteligência artificial.

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“A tecnologia pode permitir que o estudante entregue um trabalho que não é de sua autoria”, defendeu na entrevista ao Estadão. “Devemos criar formas de avaliação que possam ser aplicadas na sala de aula e na resolução de problemas, que mobilizem o conhecimento de forma mais dinâmica, diferente daquele antigo trabalho que entregávamos no fim do semestre.”