Universidades da América Latina tem maior foco em empregabilidade que outros países, diz VP da QS
No Brasil, não se vê universidades particulares ganhando mais espaço como em outros países, destaca Ben Sowter. Crédito: Isabela Petrini Moya / Estadão
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) planeja criar um novo curso de Medicina em Piracicaba, no interior de São Paulo, e também novas graduações nas áreas de engenharia e inteligência artificial. A proposta faz parte de uma reestruturação prevista após a transformação da área de saúde da universidade em uma autarquia.
A mudança deve abranger dois hospitais e seis centros de serviços e pesquisas ligados à instituição de ensino. A proposta recebeu sinal verde do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no último dia 1º. Os primeiros estudos serão apresentados ao governo até meados de outubro.
Segundo o diretor executivo da Área de Saúde da Unicamp, Luiz Carlos Zeferino, a transição do modelo atual para o autárquico tem prazo de dez anos e a ampliação dos cursos ocorrerá de forma gradual.

Próxima a Campinas, Piracicaba, com 420 mil habitantes, não tem graduação pública de Medicina e há demanda crescente pela formação de profissionais na área. O suporte aos alunos será dado pelo Hospital Regional de Piracicaba.
Com a transformação em autarquia, deverá haver redução progressiva dos recursos da Unicamp para a área de saúde, que compromete R$ 1,1 bilhão do seu orçamento anual.
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A receita da instituição é composta, principalmente, por uma cota fixa de 2,19% da arrecadação estadual de ICMS. Com a reforma tributária, que prevê a extinção desse imposto, as universidades negociam como será o novo modelo de financiamento.
Com a mudança, o setor passará a ser atendido financeiramente por repasses do Estado e da União. A autarquia também pode obter recursos por meio de contratos com empresas.
O modelo será semelhante ao já empregado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, vinculado à Universidade Estadual Paulista (Unesp). Na reunião com o governador, ficou definido que a proposta será implementada de forma escalonada, como ocorreu na área de saúde da Unesp de Botucatu.
Reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner anunciou a criação de um grupo de trabalho para definir os projetos pedagógicos dos novos cursos. A ideia é criar graduações de engenharias e de tecnologias, inclusive voltados para o agro – segmento forte na economia paulista – e inteligência artificial (IA). Os detalhes ainda são definidos.
Os cursos vão atender o triângulo que compreende Campinas, Piracicaba e Limeira, as duas últimas com parques agroindustriais consolidados.
USP e Unicamp já têm autarquias
A transformação em autarquia do setor de assistência à saúde da Unicamp seguirá o modelo adotado pelas faculdades de Medicina da USP e da Unesp. Autarquia é uma entidade de direito público, com autonomia econômica, técnica e administrativa, mas fiscalizada pelo Estado.
No caso da Área da Saúde da Unicamp, a autarquia a ser criada seria vinculada à Secretaria da Saúde para fins administrativos e orçamentários, mas se manteria associada à Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e às outras unidades de ensino, pesquisa e extensão que atuam na área da saúde da Unicamp.
A nova autarquia servirá de campo para ensino e treinamento a estudantes de cursos de graduação e pós e de escolas superiores com currículos ligados às ciências da saúde.
Também servirá como meio de aperfeiçoamento de médicos, técnicos e alunos, com a realização de pesquisas, estágios, cursos de pós-graduação, investigação científica e inovações tecnológicas em saúde. Deverá, ainda, integrar o Sistema Único de Saúde (SUS), ofertando assistência médico-hospitalar à comunidade.
O projeto precisa passar pelo Conselho Universitário (Consu) da Unicamp, órgão máximo da instituição. Segundo Zeferino, as experiências das outras faculdades de Medicina estaduais e de suas autarquias da saúde servirão de referência para o projeto. A contratação e a reposição de servidores, por exemplo, passarão a ser feitas pela secretaria estadual – para os atuais funcionários não haverá mudança.
O modelo da Unesp mostra que nos primeiros dois anos após a transformação, a universidade manteve o orçamento previsto para a saúde. O desembolso, porém, foi reduzido de forma gradual a partir do terceiro ano e se manteve decrescente ao longo do tempo – em um processo de alteração do financiamento que durou 10 anos.
“A partir de 2020, a Unesp não colocou mais recursos na autarquia e passou a ser totalmente ressarcida dos gastos com folha de pagamento dos trabalhadores que ainda atuavam no HC”, diz Zeferino.
Para Zeferino, o alívio no orçamento da Unicamp será uma forma segura de garantir o crescimento da universidade, com abertura de novos cursos e oferecimento de maior número de vagas para estudantes.
A Unicamp oferece 3,4 mil vagas em seu processo seletivo, menos do que as demais áreas estaduais paulistas, como a USP (8,1 mil) e Unesp (7,6 mil).
Na Área da Saúde, a Unicamp tem praticamente o mesmo número de leitos existentes em 1990. À época, a cidade tinha cerca de 750 mil habitantes e hoje conta com cerca de 1,2 milhão. Em 1990, o Centro de Atenção à Saúde da Mulher e o HC contavam com cerca de 550 leitos. Hoje têm 561 leitos, segundo Zeferino.
Unidades que vão compor a nova autarquia:
• Hospital de Clínicas (HC): início de internações em 1985
• Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti – Caism Unicamp: início de internações em 1986
• Centro de Hematologia e Hemoterapia da Universidade Estadual de Campinas (Hemocentro): criado em 1985
• Centro de Diagnóstico de Doenças do Aparelho Digestivo (Gastrocentro): criado em 1990
• Centro Integrado de Pesquisas Oncohematológicas na Infância (CIPOI): instituído em 1986
• Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação Prof. Dr. Gabriel O.S. Porto (CEPRE): criado em 1973
• Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox): criado em 1982
• Centro Clínico Multidisciplinar da Faculdade de Odontologia: inaugurado em 2025








