Bolsa deve manter fôlego em agosto com queda de juros; guerra e eleições ameaçam rali, diz Ágora
Expectativa de ajuste fiscal e temporada de balanços entram no radar, enquanto cenário externo segue como fonte de volatilidade, afirma Dalton Gardiman. Crédito: Marilia Almeida
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O choque inflacionário que pressionou a economia brasileira nos últimos meses está se dissipando mais rapidamente do que o esperado, levando à revisão da projeção do Bradesco (BBDC3; BBDC4) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de 5,3% para 5%, enquanto a estimativa para 2027 foi mantida em 4,1%, abrindo espaço para que o Banco Central (BC) continue reduzindo a taxa básica de juros.
Essa é a avaliação do economista chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, que vê a Selic encerrando o ciclo abaixo de 13,75%, com possibilidade de atingir 13,25%, desde que o câmbio permaneça estável e o cenário inflacionário continue favorável.
Na visão dele, fatores que impulsionaram a inflação, como expectativas relacionadas à aprovação da jornada de trabalho 6x1, estímulos fiscais e o choque provocado pela guerra no Oriente Médio sobre o petróleo, começam a perder intensidade.
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Embora o barril do petróleo tenha chegado a US$ 120 durante o auge das tensões geopolíticas, os preços recuaram sem provocar efeitos mais persistentes sobre a inflação brasileira. “O câmbio ficou relativamente estável e a guerra parou e voltou, mas o petróleo não voltou a subir de forma significativa”, disse.
Na avaliação do Bradesco, embora a inflação ainda não esteja convergindo para a meta de 3%, ela caminha para um patamar significativamente menor do que o observado durante o período de maiores choques, o que sustenta a expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic.
Contudo, o banco quer ter mais convicção sobre o cenário base diante de um Banco Central conservador. Além disso, o principal risco à projeção segue sendo o El Niño, cujo efeito sobre a inflação de alimentos ainda é incerto.
BC foi austero e conservador no comunicado

Apesar da melhora do cenário, Honorato avalia que o comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) adotou um tom conservador.
Na avaliação do economista, a autoridade monetária deu maior peso à desancoragem das expectativas de inflação do que aos sinais de desaceleração da economia. “Achamos o comunicado duro. O Copom foi austero e conservador.”
Ele pondera, no entanto, que isso não significa necessariamente uma intenção de interromper o ciclo de cortes. “O Banco Central deixou claro que está tomando decisões reunião a reunião. Está 100% dependente dos dados.”
Para Honorato, a ata da reunião, que será divulgada na semana que vem, poderá esclarecer alguns pontos que ficaram em aberto no comunicado, principalmente sobre a avaliação da atividade econômica e do mercado de crédito.
Segundo ele, chamou atenção o fato de o BC ter retirado do comunicado a frase que afirmava que a política monetária estava funcionando. “Talvez a ata explique se o Banco Central entende que os efeitos da alta de juros já se materializaram completamente.”
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Risco está na atividade econômica esfriar mais
Os dados do segundo trimestre de 2026 (2T26) confirmam a moderação do crescimento. Com isso, o banco ajustou a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 de 2% para 1,9% e, o de 2027, de 1,5% para 1,3%. Os estímulos de crédito começam a mostrar fadiga, em um ambiente de elevado comprometimento de renda das famílias.
O economista afirmou que vê riscos de uma desaceleração mais intensa da economia do que a incorporada atualmente nas projeções. Segundo ele, os indicadores do terceiro trimestre já sugerem perda de fôlego. “O cheiro do PIB do terceiro trimestre é menor do que temos hoje.”
Caso esse cenário se confirme, a inflação deverá continuar cedendo, reforçando o espaço para novos cortes na Selic. “Se a atividade esfriar, a inflação vem para baixo e o Banco Central pode seguir cortando juros.”
Para 2027, Honorato afirma que o risco predominante é de uma economia mais fraca.
Eleição pode influenciar cortes
Embora o cenário base seja de continuidade da flexibilização monetária, Honorato ressalta que as eleições poderão influenciar o ritmo dos cortes por meio do impacto sobre o câmbio. “Se a volatilidade do real não aumentar depois da eleição, não vemos por que parar de cortar juros.
O Bradesco manteve a projeção para o dólar em R$ 5 ao final de 2026 e R$ 5,20 em 2027.




