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As cotações do petróleo hoje fecharam em queda, ampliando o movimento observado na semana passada, à medida que investidores incorporam um cenário de redução das tensões no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (22), o barril do Brent para setembro encerrou em baixa de 3,31%, a US$ 77,90, enquanto o WTI para agosto caiu 2,62%, a US$ 73,86.

A pressão veio após mediadores do Catar e do Paquistão afirmarem que Estados Unidos e Irã concordaram com um roteiro para buscar um acordo de paz definitivo em até 60 dias. Segundo relatos das negociações, os dois países também estabeleceram um canal de comunicação voltado à segurança da navegação no Estreito de Ormuz, principal corredor energético do planeta.
O mercado acompanha ainda discussões sobre flexibilização de sanções ao petróleo iraniano e possível liberação de ativos congelados de Teerã no exterior.
O mercado ganhou mais um sinal de aumento potencial da oferta hoje. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos autorizou, por meio de uma licença temporária de 60 dias, a produção, entrega e venda de petróleo bruto e derivados iranianos até 21 de agosto. A autorização também permite a importação desses produtos para os EUA e viabiliza pagamentos em dólares ao governo iraniano.
Segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, a medida está vinculada aos avanços das negociações na Suíça e ao compromisso assumido pelo Irã de garantir a livre navegação em Ormuz e voltar a receber inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Petróleo iraniano ganha novo fôlego mercado
A queda das cotações refletiu a percepção de que o risco de interrupção prolongada da oferta global ficou menor do que se imaginava durante o auge do conflito.
Nos últimos dias, autoridades do Catar e do Paquistão relataram avanços nas conversas entre Washington e Teerã, enquanto diplomatas indicaram progresso nas negociações relacionadas ao tráfego marítimo em Ormuz.
O movimento ajuda a explicar por que o Brent voltou a negociar abaixo de US$ 80 por barril, patamar que havia sido rompido durante a escalada militar.
Ainda assim, o cenário permanece longe de uma normalização completa. Analistas do ING observam que o principal teste para o mercado será a velocidade de recuperação dos fluxos de petróleo e gás natural liquefeito do Golfo Pérsico. A implementação do acordo e a retomada efetiva das exportações continuam cercadas de incertezas.
Além disso, membros do Banco Central Europeu (BCE) monitoram possíveis efeitos secundários da disparada recente das commodities energéticas sobre salários e inflação, mesmo após o arrefecimento das tensões geopolíticas.
Brasil ganha espaço em reconfiguração da oferta global de petróleo
Enquanto o mercado internacional se concentra no Oriente Médio, projeções divulgadas nesta segunda-feira reforçam a relevância crescente do Brasil na indústria global de petróleo.
Segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o País está entre os principais impulsionadores da expansão da produção fora do grupo de países exportadores nas próximas décadas, ao lado de Canadá, Catar e Argentina.
Os dados também aparecem no novo Anuário do Petróleo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A produção brasileira avançou 12% em 2025 e se aproximou de 3,8 milhões de barris por dia. Nos quatro primeiros meses de 2026, o volume cresceu mais 10%, superando 4,1 milhões de barris diários.
No Rio de Janeiro, principal polo produtor do País, a extração atingiu recorde superior a 1,2 bilhão de barris em 2025. O ritmo observado neste ano aponta para uma produção acima de 3,6 milhões de barris por dia.
O relatório destaca que Brasil e Rio reforçam sua posição como fornecedores considerados confiáveis apesar das tensões geopolíticas, reorganização das cadeias de suprimento e busca por segurança energética.
Petrobras avança em projeto bilionário de combustíveis renováveis
Na B3, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) operaram no sentindo oposto, vencendo a pressão sobre o “ouro negro”. Os papéis ordinários da estatal (PETR3) avançaram 0,69%, a R$ 43,64, enquanto as ações preferenciais (PETR4) fecharam com alta de 0,95%, cotadas a R$ 39,17.
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O movimento ocorre mesmo após a companhia aprovar investimento de US$ 1,2 bilhão na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP), para implantação de uma planta dedicada à produção de bioquerosene de aviação e diesel renovável.
A unidade terá capacidade para produzir até 15 mil barris por dia de combustíveis renováveis e faz parte da estratégia da estatal para ampliar sua presença em segmentos ligados à transição energética. A previsão é que a operação comece em 2030.
*Com informações do Broadcast



