Na última quinta-feira, 10 de abril, o grupo californiano Incubus se apresentou no Espaço Unimed com ingressos esgotados e fez um show memorável.
A banda trouxe para a américa latina a turnê Morning View XXIII, onde eles tocam na íntegra o aclamado álbum de 2001, que ganhou uma nova regravação em homenagem aos 20 anos do seu lançamento.
A banda trouxe para a América Latina a turnê Morning View XXIII, na qual executa na íntegra o aclamado álbum de 2001, recentemente regravado/reinterpretado em homenagem aos 20 anos de seu lançamento.
O disco original foi lançado um mês antes dos atentados de 11 de setembro e completou duas décadas em meio à pandemia de COVID-19. Em um período marcado por incertezas, a música tem um poder de consolo e levou o Incubus a retornar à casa onde o álbum foi gravado, apresentando todo o repertório do início ao fim em uma transmissão ao vivo mundial, pela primeira vez.
A recepção calorosa dos fãs foi imediata, o que motivou a banda a repetir a experiência em outubro de 2023, com um show no lendário Hollywood Bowl, em Los Angeles. Esse momento deu origem à turnê Performing Morning View in Its Entirety + The Hits, que teve passagem pelo solo latino-americano.
O show foi inesquecível, repleto de músicas que continuam conectando gerações de fãs ao álbum seminal da banda. Antes da apresentação, nossa repórter Juliana Mezzaroba conversou com o guitarrista Mike Einziger. Confira a entrevista:
Primeiro, preciso te agradecer por trazer essa turnê para a América do Sul. Estive em 2023, no Hollywood Bowl, quando vocês abriram a turnê e foi incrível e a sua família tocou com vocês. Como foi levar seus filhos e sua esposa para o palco?
Ah, foi uma experiência incrível tocar Morning View no Hollywood Bowl, minha esposa e minhas filhas gêmeas, que agora estão com quase oito anos… Na época, tinham seis. Foi meio surreal, porque o Hollywood Bowl é um lugar incrível. Cresci indo a shows lá a vida toda, desde que era bem pequeno. Estar lá com meus pais, minhas filhas e toda minha família foi realmente incrível.
O que o Mike de 20 anos diria para o Mike de agora?
Na verdade, eu nem sei o que eu diria para meu eu do futuro. É mais como: o que o Mike do futuro diria para o Mike de 20 anos, sabe?
E o que o Mike de agora diria para o antigo?
Se prepare!
Você tem noção do que os shows de vocês fazem as pessoas se sentirem? Uma vez eu estava em um show de vocês e vi uma garota dizer chorando: “é como ir à igreja toda vez”. Sempre vejo muitas pessoas emocionadas nos seus shows. Você tem noção de que causa isso nas pessoas?
A gente tem visto isso bastante ao longo dos anos. Tudo o que posso dizer é que fico muito feliz que as pessoas parecem se conectar com a música e continuam conectadas com ela por muito tempo, por décadas. É muito gratificante poder proporcionar isso. Eu realmente não sei o porquê as pessoas se conectam com a música ou não. É algo muito pessoal, sabe? Então, eu só me sinto muito sortudo. Sim, e há muitas pessoas que se conectam.
As suas músicas influenciam a vida das pessoas, algumas pessoas dizem que o Incubus salvou a alma e o coração, outras comentam como vocês salvaram a adolescência delas e coisas assim. Como isso interfere no processo de composição das músicas?
Quando estamos escrevendo música, é quase como se eu nem soubesse de onde aquilo vem. Não é um processo fácil de descrever em palavras. São mais como eventos que acontecem no tempo, e a questão é se você vai ou não reconhecer aquilo, se a ideia é boa ou não. É tipo um chute, sabe? A gente nunca consegue planejar ou mapear como as músicas vão ser. A gente simplesmente as escreve. Não pensamos muito no resultado final, é mais sobre o que está funcionando no momento.
Vocês se veem tocando no palco como os Rolling Stones ou o Paul McCartney, que estão com mais de 80 anos e ainda fazem shows de duas horas?
Eu não sei. Não sei como esses caras conseguem tocar por duas horas na idade deles. Eu já fico tão cansado e tenho metade da idade deles, mas sabe, somos muito sortudos de poder tocar música e fazer isso pelo mundo todo, com pessoas ainda se importando com isso. Há tanta coisa que as pessoas poderiam estar fazendo, tantas músicas que poderiam ouvir, tantas escolhas, opções e o fato de continuarem conectadas à nossa música é um grande privilégio.
Vocês foram influenciados por bandas de rock dos anos 90, como Red Hot Chili Peppers, você também foi influenciado por Björk, Prince. Agora vocês têm uma mulher na banda, como o Prince que sempre teve, o David Bowie também. Como é ser uma banda de rock com uma mulher e como foi gravar com ela pela primeira vez?
A Nicole é simplesmente incrível. A gente a ama. Ela já faz parte da nossa família. Quando você a conhece, parece que sempre foram amigos, sabe? Com ela foi tão natural, ela simplesmente se encaixou na nossa família de forma perfeita. Ela é uma musicista incrível, toca super bem, é muito talentosa, muito musical, super legal e divertida. Funciona em todos os sentidos para todos nós e acho que se você perguntasse a ela, ela diria o mesmo. Estamos nos divertindo muito, e tê-la na banda trouxe uma energia diferente. A gente acabou de terminar um álbum novo e o fizemos bem rápido, e acho que a Nicole teve muito a ver com isso também, só a presença dela por perto, ela é sensacional, é divertido trabalhar com ela.
Vocês já têm uma data para lançar o primeiro single do novo álbum?
Ainda não sei exatamente sobre o primeiro single. Acho que estamos planejando lançar o álbum em outubro. Vamos saber muito em breve qual será o cronograma de lançamentos das músicas.
Você produziu alguns artistas que a gente toca na rádio, como The Internet, Yuna, Tyler the Creator. Como é ser produtor de outros artistas?
Honestamente, parece o mesmo que fazer música com a banda. A música que fazemos juntos nasce da nossa amizade, e todos os artistas com quem trabalhei, como Skrillex, Tyler, Avicii, seja quem for, todas essas conexões surgiram através da amizade. Quando fizemos música juntos, foi uma evolução natural de estarmos juntos, sendo amigos. Então tudo o que já fiz musicalmente é uma extensão das minhas amizades no mundo. É isso que a música significa pra mim, e eu amo isso desse jeito. Amizade é tudo!



