EAST RUTHERFORD - A Fifa sofre para vender ingressos para todos os seus jogos do Mundial de Clubes a dias do início da competição. Até mesmo a partida de abertura, em Miami, tem pouca procura por bilhetes e deve ser disputada com muitos assentos vazios, como adiantou o Estadão. No entanto, internamente, a entidade que comanda o futebol mundial comemora o retorno financeiro obtido com os milionários acordos comerciais.
Pressionado no ano passado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino levou um tempo para achar interessados em associar suas marcas ao inédito torneio. Mas quando fechou o primeiro acordo comercial, com a Hisense, em outubro de 2024, outros oito apareceram de forma veloz. O dirigente bateu sua meta ao conseguir nove patrocinadores.
Leia também
Mundial de Clubes 2025: saiba como será a divisão dos jogos entre Globo e CazéTV
Mundial de Clubes tem baixa procura por ingressos a 18 dias da abertura
Palmeiras e cariocas se unem para reduzir tributação sobre premiação milionária do Mundial
Patrocinadores do Mundial de Clubes da Fifa
- Hisense
- Bank of America
- AB InBev
- Coca Cola
- Visa
- Motorola
- Qatar Airways
- PIF (Fundo Soberano Saudita)
- Betano
Um dos últimos a fechar acordo comercial com a Fifa foi o Public Investment Fund (PIF, na sigla em inglês), o fundo soberano da Arábia Saudita. “Estamos abrindo caminho para o crescimento do esporte em todo o planeta”, celebrou Mohammed al Sayyad, chefe da marca PIF.

Algumas das marcas, como Visa e Coca Cola, têm presença garantida também na Copa do Mundo de 2026, a ser disputada nos Canadá, Estados Unidos e México. Cada contrato gera ao menos US$ 100 milhões (R$ 557 milhões) para a Fifa, segundo o portal The Athletic. Daí a razão de a entidade pagar uma premiação histórica, maior do que paga às seleções da Copa do Mundo, aos times participantes . O valor supera US$ 1 bilhão, entre participação e desempenho esportivo.
“O Mundial de Clubes vai transformar o futebol de clubes”, disse o diretor-executivo de negócios da Fifa, Romy Gai, quando o acordo com a Visa foi anunciado.
Além disso, a Tiffany & Co, joalheria americana de luxo, é a parceira responsável pela confecção do troféu que será entregue ao campeão no dia 13 de julho, e a Adidas, conhecida fornecedora alemã de material esportivo, fornece a bola da competição.
Os direitos de transmissão foram vendidos globalmente para a DANZ, que terá exclusividade de exibição e vai transmitir todos os 63 jogos gratuitamente em sua plataforma de streaming. No Brasil, a DAZN sublicenciou os direitos para CazéTV e Globo.
Foram meses de negociação da Fifa com as marcas. A entidade encontrou dificuldades para amealhar parceiros comerciais importantes e só fechou o primeiro acordo em outubro do ano passado, com a Hisense, empresa estatal da China que vende eletrodomésticos e eletrônicos.
Naquela época, a Fifa vinha sendo pressionada por clubes europeus e entidades esportivas, que questionavam a falta de orçamento para a realização do torneio.

Infantino, principalmente, foi muito questionado por alguns dos principais dirigentes do futebol europeu no começo. Ele foi atacado publicamente por Javier Tebas, presidente de La Liga. O espanhol disse, na ocasião, que tudo que a Fifa fazia era “desorganizar” e pediu que o Mundial fosse tirado do calendário.
“Não é necessário para os jogadores, não é necessário para os clubes, não é necessário para a Fifa”, afirmou Tebas à época. Dias depois, a Fifa anunciou o primeiro patrocinador e a venda dos direitos de transmissão para a DAZN.
Para Infantino, cartola que comanda o futebol mundial, o Mundial será “um torneio meritocrático e inclusivo que será o ápice do futebol de clubes global, capturando a imaginação de jogadores e torcedores em todo o planeta”.
“Queremos ser inclusivos. Queremos dar oportunidades a clubes de todo o mundo. Trata-se realmente de globalizar o futebol, de torná-lo verdadeiramente global”, afirmou o dirigente em entrevista à AFP. “Se analisarmos mais a fundo, dizemos que é o esporte número um do mundo, e é, mas a elite está muito concentrada em muito poucos clubes, em muito poucos países”, acrescentou.
O Secretário-Geral da Fifa, Mattias Grafström, está alinhado ao chefe, ao defender o torneio, que, nas palavras dele, “marcará uma nova era no futebol de clubes global”. Essa era, diz Grafstrom, será “inclusiva, inovadora e mais conectada do que nunca”.





