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Pacaembu recebe mais de 100 eventos em 2025, mas não atrai clubes da Série A

Reaberto desde janeiro, estádio é ignorado por São Paulo e Santos por causa do gramado sintético e direciona foco para eventos culturais e corporativos; diretor espera ‘grandes jogos’ em 2026

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Foto do autor Ricardo Magatti
Atualização:

Reaberto para o público desde janeiro deste ano, o Pacaembu ainda não voltou a ser palco dos principais jogos do futebol brasileiro. A Allegra, concessionária que administra o estádio, conversou com alguns clubes, e esperava que São Paulo e Santos jogassem no local, mas ambos preferiram fazer um acordo que permite que um utilize o estádio do outro em partidas do Brasileirão.

Tanto Santos como São Paulo assinaram uma carta de intenção de uso do Pacaembu. O presidente Marcelo Teixeira havia prometido que o clube fincaria sua bandeira no que foi por muito tempo um dos estádios mais importantes do País, hoje batizado de Mercado Livre Arena Pacaembu, como sua casa na capital paulista.

Os dois mudaram de ideia por causa do gramado sintético de R$ 6,5 milhões instalado no lugar do antigo tapete tão elogiado na arena. Quando fez acordo para usar o estádio, o Santos ainda não tinha Neymar, um dos que mais reclama do piso artificial. O São Paulo foi um dos que declarou guerra ao sintético em campanha encabeçada nas redes sociais que teve como um dos líderes o meia-atacante Lucas Moura.

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Pacaembu não recebeu grandes jogos de futebol em 2025 Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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O clube é tão contrário à grama artificial que fez a opção de perder dinheiro ao mandar duas de suas últimas partidas da temporada na Vila Belmiro, estádio com capacidade para pouco mais de 13 mil torcedores, metade do que comporta o Pacaembu, que tem alvará para receber sua capacidade total, de 25 mil pessoas. O empate com o Flamengo foi visto por 11.228 torcedores no estádio santista e registrou renda de quase R$ 300 mil.

O Palmeiras, que também perde temporariamente sua casa com certa frequência, já que o Allianz Parque é o estádio que mais recebeu eventos no mundo em 2024, não tem interesse em jogar no Pacaembu porque, quando precisa, manda seus jogos na Arena Barueri, concedida a uma das empresas de Leila Pereira.

Mais de 100 eventos e apenas 9 jogos de futebol

Revitalizado, um dos maiores ícones da história esportiva e cultural de São Paulo renasceu com muitas modificações desde que foi reaberto para a final da Copinha, em janeiro. A nova lógica de utilização da estrutura não se restringe aos jogos de futebol e permitiu que o complexo receba eventos culturais, como shows, mostras de arte e desfiles de moda.

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A gestora que detém a outorga do complexo esportivo por 35 anos quer recuperar os R$ 800 milhões investidos na reforma. Por isso, sob gestão privada, o antes templo do futebol virou centro de negócios, cultura e lazer.

No entanto, hospedar os mais importantes do duelos do futebol brasileiro, como fez no passado, faz falta às torcidas. “Nosso projeto é ter vários grandes jogos de futebol”, diz Thiago Savoldi, diretor executivo de negócios e experiência da concessionária Allegra Pacaembu. Que em 2026 venham vários grandes jogos para coroar a primeira volta do futebol para cá e que as torcidas possam voltar a criar boas memórias no estádio”.

Ele confirmou ter havido conversas com Flamengo, São Paulo e Santos, e reiterou que o Pacaembu está aberto para os times da Série A. “É uma questão de organização de calendário, de logística muitas vezes, e de a gente conseguir desenhar uma experiência legal com o clube”, argumenta.

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Foram, nos cálculos da concessionária, 141 eventos realizados no complexo neste ano e apenas nove partidas de futebol profissional, a maioria delas da Portuguesa, que ficou sem o Canindé no Paulistão. Nenhuma, porém, das principais competições do País. Nada de Brasileirão, Libertadores e Sul-Americana.

Gramado sintético do Pacaembu afastou São Paulo e Santos do estádio Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Houve jogos de futebol feminino, as finais da Taça das Favelas Estadual e Nacional e algumas partidas festivas, como a do Congresso da Associação Paulista dos Municípios, que reuniu prefeitos e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Eventos corporativos dominam agenda do Pacaembu

A agenda do estádio tem sido tomada, especialmente, por eventos corporativos. Foram 51 neste ano, a maior parte no Mercado Pago Hall, o centro de convenções do complexo, construído no subsolo do edifício multifuncional. O espaço abaixo do nível do gramado tem capacidade para 8,5 mil pessoas.

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Foi o Mercado Pago Hall que abrigou a premiação do Paulistão, a quinta edição do leilão do instituto de Neymar, em junho, e vai receber nesta terça-feira, 11, o lançamento do Paulistão 2026. Patrocinado pela empresa que dá nome à arena, o astro do Santos tem agendado um jogo festivo em dezembro no estádio.

“Temos, efetivamente, ocupado o espaço não só com esporte, mas com lazer e cultura. Temos olhado com os olhos bastante entusiasmados, e as marcas têm entendido isso”, afirma Savoldi, segundo o qual o evento “mais icônico” desde que foi reinaugurado o complexo foi a apresentação do cantor sertanejo Luan Santana, em março.

O tenor italiano Andrea Bocelli será o primeiro responsável pelo primeiro show internacional do novo Pacaembu. Ele se apresentará nos dias 21 e 22 deste mês.

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Pista de corrida do Pacaembu é aberta ao público Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Os concertos musicais tendem a se intensificar no próximo ano, quando será inaugurado um edifício multifuncional que está sendo construído no espaço onde antes ficava o Tobogã e abrigará um hotel de luxo com 87 quartos, a maioria deles voltados para o gramado, administrados pelo braço de hotelaria da Universal Music.

Haverá também um centro de reabilitação esportiva sob gestão do Hospital Israelita Albert Einstein e dois restaurantes no prédio multiuso. que está pronto, segundo o diretor da Allegra. “A expectativa é de que essa área toda esteja em operação antes do final de 2026″, projeta ele.

A pista de corrida, a piscina e as quadras estão abertas ao público na arena, que ganhou uma loja da Panini, uma sorveteria e um café, todos debaixo das arquibancadas.

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