Entre 2012 e 2025, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) teve sete presidentes. À primeira vista, isso poderia ser interpretado como uma saudável alternância de lideranças no futebol nacional.
Sabemos que essa não é a realidade da CBF. Dos sete nomes, Ricardo Teixeira, Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo deixaram o cargo envolvidos em acusações de corrupção ou assédio.

José Maria Marin concluiu seu mandato, mas foi preso pouco mais de um mês depois acusado de receber propina para a venda de direitos comerciais de competições, conforme investigação do FBI. Antônio Carlos Nunes, o coronel Nunes, esteve na função temporariamente em duas ocasiões, diante da ausência de dirigentes titulares. José Perdiz, chefe do STJD, comandou por pouco mais de um mês, como interino, entre 2023 e 2024.
O sétimo é Ednaldo Rodrigues. Ele ocupa o cargo desde 2021, quando assumiu interinamente após o afastamento de Caboclo. Em 2022, Ednaldo foi eleito para a sua primeira gestão efetiva e, recentemente, foi reeleito para um novo ciclo, que se estenderá até 2030.
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O que poderia ter sido um período de estabilidade voltou a se transformar em crise. Entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, Ednaldo Rodrigues foi afastado da presidência da CBF por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), devido a questionamentos sobre a legitimidade da eleição de Rogério Caboclo, fato que impacta diretamente o atual mandato.
Apesar da homologação de um acordo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), uma das assinaturas presentes no documento agora é alvo de suspeita de fraude. A situação reacendeu a instabilidade, com consequências. A seleção brasileira está sem técnico há mais de 30 dias, após a demissão de Dorival Júnior. Qual profissional se sentiria seguro em se comprometer com um projeto com tamanha incerteza nos bastidores?
Na semana passada, a CBF divulgou seus números financeiros de 2024, com mais de R$ 1,5 bilhão em faturamento, e o controle de uma fatia expressiva dos investimentos privados em patrocínio esportivo no Brasil. Ainda assim, entre 2024 e 2025, quatro empresas deixaram de associar suas marcas à seleção, o principal ativo da entidade. Crises de imagem geram desconfiança no mercado.
A confederação minimiza as perdas porque os contratos encerrados eram de baixo valor. É verdade que a Nike, parceira desde 1995, renovou até 2038 em um acordo que prevê cifras milionárias, especialmente com a participação nas vendas de produtos.
Mas a pergunta que fica é: qual imagem a CBF passa para quem deseja comprar essa camisa?





