Yago Dora trocou futebol pelo surfe e dispensou o pai-treinador até virar número 1

Líder do ranking, surfista conquista WSL Finals em Fiji: ‘Sempre soube que estava pronto’

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Foto do autor Ricardo Magatti
Foto do autor Murillo César Alves
Atualização:

Yago Dora explica demissão do pai como treinador antes do WSL Finals

Surfista busca primeiro título da carreira desde que entrou para a principal organização do mundo no esporte.

Líder do ranking do Circuito Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês), Yago Dora trocou o futebol pelo surfe e se viu obrigado a dispensar o pai até alcançar o auge de sua carreira. O curitibano de 29 anos foi campeão do WSL Finals pela primeira vez e se tornou o quinto surfista brasileiro campeão mundial.

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De promessa a protagonista, ele era o favorito a colocar o surfe brasileiro mais uma vez no topo do mundo, repetindo o que fizeram Gabriel Medina (três vezes), Filipe Toledo (duas), Adriano de Souza, o Mineirinho, e Italo Ferreira, este que também está na disputa.

Evento que reuniu os cinco melhores surfistas do mundo, o WSL Finals foi definido em apenas um dia em Cloudbreak, na ilha de Tavarua, em Fiji. O palco da disputa reservou uma das ondas mais perfeitas do mundo, com tubos potentes e desafiadores que agradam Dora.

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“É uma onda com a qual me identifico muito. Tenho uma chance muito boa de conseguir meu primeiro título”, diz o surfista em entrevista ao Estadão, já em Fiji, dias antes do evento. “Estou bem focado. Treinei bastante fora da água também, o físico, o mental, que é um trabalho que tenho feito bastante também”.

Yago Dora está classificado para a decisão do título mundial da WSL. Foto: WSL via X

Dora usa a lycra com o número 9 por ser fã de Ronaldo Fenômeno e teve o desejo de ser jogador de futebol. Mudou de ideia ainda jovem e trocou a bola pela prancha aos 11 anos. Era inevitável: o pai, Leandro Dora, o ‘Grilo’, foi surfista, é técnico e incentivou o filho a enveredar pelo mesmo caminho.

O curitibano criado em Florianópolis conseguiu seu primeiro patrocínio aos 15 anos e aos 21, em 2017, chegou à elite do surfe mundial, convidado para a etapa de Saquarema, no Rio. Destacou-se ao eliminar Gabriel Medina, John John Florence e Mick Fanning e se tornou a sensação daquela etapa.

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Os anos seguintes, porém, foram de seguidas frustrações. Considerado umas das principais promessas do surfe, ele encontrou dificuldade em obter resultados e se consolidar entre os melhores.

Bateu duas vezes na trave, em 2024 e 2023, ao ficar perto de conseguir uma vaga no Finals. Foi um processo longo e doloroso, ele conta, ter de encarar derrotas e fazer escolhas que mudariam seu destino.

Sempre soube que eu estava pronto para disputar as finais e para estar disputando o título. Estou feliz de ter essa oportunidade, ainda mais estando no topo do ranking.

Yago Dora, surfista

Uma das decisões que elevaram seu nível no mar e o fizeram deslanchar foi o rompimento com o pai. No início desde ano, Dora demitiu Grilo, então seu técnico desde o início da carreira.

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Yago Dora em ação na etapa de Saquarema, no Rio Foto: WSL/Divulgação

“Sou uma pessoa bem generosa, que não gosta de incomodar os outros, e comecei a me enxergar me colocando muitas vezes em segundo lugar para não desfazer a vontade dos outros, para não deixar um clima ruim. Sinto que fiquei acomodado e me colocando em segundo lugar assim na minha vida”, reflete.

Dora diz que o rompimento representou um baque, mas foi necessário para ter controle sobre seu futuro e as próprias decisões, o que o ajudou a ter melhores resultados e virar líder do ranking. Ele hoje é treinado por Leandro da Silva.

Queria ir bem, queria evoluir, mas estava meio na zona de conforto. Comecei a cada vez me enxergar um pouquinho mais assim, e, com 29 anos, isso veio vindo, e foi florescendo em mim essa vontade de realmente estar tomando conta da minha carreira, da minha vida, de tomar as minhas próprias decisões. Sinto que eu precisava de algo novo, de algumas mudanças.

Yago Dora sobre o rompimento com o pai

“Tem um processo até acostumar com a nova posição, de termos uma relação apenas de pai e filho, não mais de técnico e atleta. Até hoje a gente está aprendendo a viver esse novo formato e as coisas estão indo bem”.

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Com a lycra amarela, chega ao WSL Finals em Fiji com a vantagem de precisar de apenas uma vitória para se tornar campeão mundial. Caso perca, ainda tem direito a uma melhor de três, privilégio exclusivo do número 1 do ranking.

“Desde antes da etapa do Taiti, desde quando garanti a minha vaga depois de fazer a final lá em B-Bay, (na África do Sul), fiquei com a mente bem focada assim nas finais”, conta.

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