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Irmão de assassino de Chico Mendes apoia Marina

Produtor rural, Aleci Alves da Silva percorre ruas do interior do Acre fazendo campanha para afilhada política do líder seringueiro morto em 1988

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O produtor rural Aleci Alves da Silva, irmão de Darly Alves da Silva, condenado pelo assassinato do líder seringueiro Chico Mendes – com quem Marina Silva ingressou no ativismo ambiental e na carreira política –, diz que “vai ser muito bom para o Brasil” se a candidata do PSB à Presidência vencer as eleições.

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Todos os dias, Aleci percorre as ruas do pequeno município de Senador Guiomard, a 30 quilômetros de Rio Branco, em uma velha caminhonete, ao som de Marinar vou Eu, de Gilberto Gil. No peito, o adesivo com o número 40 e a frase Marina Silva Presidente. “Aqui mesmo sou só eu fazendo campanha pra Marina. Não tem outro”, diz Aleci. Ao fundo, o som ambiente do jingle da candidata do PSB, com que intercala a primeira música em seu MP3: “Não vamos desistir do Brasil e vamos juntos com Marina!”.

Questionado sobre o crime cometido em 1988, pelo qual seu irmão e o sobrinho, Darci Alves, foram condenados, Aleci diz que “tudo na vida passa e isso também passou”. “Eu tenho quatro filhos, quero deixar um bom futuro para eles, e acho que vai ser muito bom para o Brasil e para o Acre se a Marina ganhar”, declarou Aleci. Na fazendo da família, ele cria gado leiteiro, produz queijos e trabalha com piscicultura. “O mais adequado para a região é a preservação. Naqueles tempos, a gente não sabia.”

Aleci, que também é servidor público estadual, elogia a política ambiental adotada pelo governador do Acre, Tião Viana, candidato à reeleição pelo PT e aliado do PSB no Acre. Segundo Aleci, o petista e a ex-ministra têm “o mesmo projeto de governo”. Entre um pedido e outro de voto para Marina, ele pede votos também para Viana.

“Eu gostava do Eduardo Campos e não sou homem de pular fora. Quando entro num projeto, vou até o fim”, disse, referindo-se ao ex-candidato do PSB, morto no mês passado. “Deus sabe o que faz! E eu faço o que é melhor para o povo: Tião Viana é o melhor governador que o Acre já teve. Meu voto e de toda a minha família vai para ele e para Marina presidente.”

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Aleci diz que o Acre é “como um jogador da reserva, que quando coloca as chuteiras o jogo já acabou”. “Nós estamos 2 horas atrás de São Paulo. Quando a gente ainda está votando aqui, as eleições acabaram aí e vocês já sabem até o resultado”, afirmou. “Vocês que moram aí no Sul ficam sacaneando o Acre, mas se Marina for presidente, ela vai colocar o nosso Estado no mapa do Brasil. O Sul vai saber que o Acre também é Brasil. Vai ser bom demais. Vocês vão ver!”

Aleci diz ter se filiado ao PSB há sete anos e chegou a anunciar sua candidatura a deputado estadual pelo partido, mas o Tribunal Regional Eleitoral barrou por “ausência de filiação”.

Ativismo. Marina, hoje no PSB, foi fundadora do PT do Acre ao lado de Chico Mendes, amigo de luta na defesa dos seringueiros e contra o desmatamento. Ela ouviu falar sobre o trabalho que ele fazia nos seringais de Brasileia e Xapuri quando estava no convento e participou de um curso de formação de lideranças rurais, como parte das ações das recém-criadas Comunidades Eclesiais de Base por padres e missionários católicos signatários da Teologia da Libertação.

Liderado por Chico Mendes, o movimento dos seringueiros do Acre surgiu em paralelo ao movimento dos trabalhadores no Grande ABC, em São Paulo. Foi quando Marina conheceu Chico Mendes e Luiz Inácio Lula da Silva. Ela se juntou ao movimento dos seringueiros contra o desmatamento, promovido principalmente por ruralistas do Sul.

Em 1984, Marina ocupou o cargo de vice-coordenadora da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre, da qual Chico Mendes era o presidente. Filiou-se ao PT em 1985. Em 1986, concorreu para deputada federal em dobradinha com Chico Mendes, que disputou vaga na Assembleia Legislativa do Acre. Ambos foram derrotados.

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Crime. Em 1988, Marina foi eleita a vereadora mais votada de Rio Branco. Chico Mendes foi assassinado no mesmo ano, surpreendido com um tiro de escopeta calibre 22 no peito, quando abria a porta de sua casa em Xapuri para tomar banho – o chuveiro ficava no quintal. Ele tinha 44 anos.

Darly e o filho Darci Alves, respectivamente irmão e sobrinho, foram condenados a 19 anos de prisão. Aleci disse que está escrevendo um livro, com o qual promete limpar o nome da família. E discorreu sobre os benefícios das reservas ambientais para o turismo no Acre. “O que aconteceu com o meio ambiente aqui foi muito bom. Há 7 ou 8 verões era diferente, o povo estava ficando doente... Mas, hoje, estamos terminando o verão e a chuva já chegou. Está tudo verdinho, como tem que ser. Uma beleza isso aqui.”

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