Elogios a Trump, tom amistoso e garantias à Ucrânia: como foi o encontro entre Trump e os europeus

Trump discutiu o futuro da guerra na Ucrânia e garantias de segurança para Kiev em uma reunião histórica com líderes europeus

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Por Redação
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Há uma chance razoável de acabar com a guerra, diz Trump

Republicano disse que pode conseguir uma reunião entre os presidentes russo e ucraniano. Crédito: Casa Branca/YouTube

WASHINGTON - O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes europeus em Washington na segunda-feira, 18, foi marcado por um tom amistoso, bajulações ao republicano e discussões sobre possíveis garantias de segurança à Ucrânia em um eventual acordo para o fim da guerra com a Rússia.

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Participaram da reunião o ucraniano Volodmir Zelenski; o francês Emmanuel Macron; o chanceler alemão, Friedrich Merz; o primeiro-ministro britânico Keir Starmer; Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana; o presidente finlandês Alexander Stubb; o secretário-geral da Otan, Mark Rutte; e Ursula von der Leyen, presidente do braço executivo da União Europeia.

Os líderes europeus se deslocaram conjuntamente a Washington para apoiar Zelenski e evitar que o novo encontro entre Trump e Zelenski não se transformasse em fiasco, como na reunião de fevereiro, onde os dois bateram boca e o presidente ucraniano foi expulso da Casa Branca.

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Líderes europeus se encontram com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington Foto: Andrew Caballero-reynolds/AFP

Saiba mais sobre o que aconteceu na reunião entre Trump e os líderes europeus:

Garantias de segurança

Durante a reunião, Trump se mostrou aberto a apoiar garantias de segurança para Kiev, sem permitir a entrada da Ucrânia na Otan. Apesar disso, o republicano não forneceu detalhes de quais seriam essas garantias.

“Países europeus querem oferecer proteção e nós vamos ajudá-los com isso,” disse Trump.

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O republicano também sinalizou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estaria aberto a aceitar que os europeus deem garantias de segurança à Ucrânia.

O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, conversa com jornalistas em Washington após uma reunião com líderes europeus e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Foto: Jacquelyn Martin/AP

Os líderes do Velho Continente avaliaram a posição de Putin como um bom sinal, mas pediram mais detalhes sobre o que isso significaria para Kiev e a Europa.

“Quando falamos sobre garantias de segurança, falamos sobre a segurança de todo o continente europeu,” disse o presidente da França, Emmanuel Macron.

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O francês apontou que conversas para determinar o que Washington pode fornecer à Ucrânia devem começar nesta terça-feira, 19.

O jornal americano Financial Times noticiou que a Ucrânia prometeu comprar US$ 100 bilhões em armas americanas financiadas pela Europa, em uma tentativa de obter garantias para sua segurança após um acordo de paz com a Rússia.

Segundo documentos vistos pelo jornal, Kiev e Washington também fechariam um acordo de US$ 50 bilhões para produzir drones com empresas ucranianas.

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Líderes europeus bajulam Trump, mas pedem mais detalhes

Os europeus desembarcaram em Washington em um gesto de demonstração de apoio a Zelenski. Durante a reunião com Trump, eles aproveitaram a oportunidade para elogiar o republicano.

Antes da reunião, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, chamou Trump de “querido Donald” e disse que era possível acabar com a guerra na Ucrânia.

Em uma entrevista posterior à emissora conservadora americana Fox News, Rutte chamou Trump de “incrível” e disse que possíveis trocas de territórios ucranianos não foram discutidas.

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O presidente da França, Emmanuel Macron, conversa com jornalistas na frente da embaixada da França em Washington Foto: Yves Herman/AFP

“Primeiro, precisamos de total clareza sobre as diretrizes de segurança,” disse Rutte. Embora a Ucrânia talvez não entre na Otan, ele notou, era necessário que os líderes europeus discutissem com Washington sobre quais garantias poderiam oferecer a Kiev.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou após a reunião que houve “real progresso” no encontro e um “verdadeiro sentido de unidade”. Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que “o caminho está aberto” para interromper os combates, mas os próximos passos são “mais complicados.”

“Vamos tentar pressionar a Rússia,” disse Merz, acrescentando que gostaria de ver um cessar-fogo ser estabelecido.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de uma reunião com líderes europeus na Casa Branca, em Washington Foto: Alex Brandon/AP

O presidente americano parecia indeciso sobre o cessar-fogo. “Se pudermos fazer uma trégua, ótimo”, disse Trump. Apesar disso, o republicano sinalizou que o cessar-fogo não era o ponto crucial do conflito.

Ele abandonou sua pressão por um cessar-fogo após a cúpula de sexta-feira com Putin no Alasca e adotou uma posição mais próxima a de Moscou.

Zelenski usa roupas formais e tem recepção amistosa

Antes da reunião com os europeus, Trump conversou apenas com Zelenski no Salão Oval. O encontro foi bem diferente da última vez que os dois líderes haviam conversado na Casa Branca, quando Zelenski bateu boca com Trump e o vice-presidente americano JD Vance.

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O líder ucraniano usou roupas mais formais e teve suas vestimentas elogiadas por Trump após um repórter trumpista perguntar sobre seus trajes.

O presidente da Ucrânia geralmente aparece em um moletom ou com uma camisa do Exército da Ucrânia — um gesto de solidariedade com as forças ucranianas na linha de frente.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, na Casa Branca Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP

Ele expressou gratidão aos EUA e aliados europeus por apoiarem seu país e agradeceu repetidamente à primeira-dama Melania Trump por enviar uma carta a Putin sobre parar de matar crianças durante a guerra.

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Próximos passos dependem de Putin

Trump, que se gabou em várias ocasiões durante a campanha presidencial de que poderia resolver a guerra da Rússia na Ucrânia em um dia, disse repetidamente na segunda-feira que era muito mais complicado do que ele jamais imaginou que seria.

Mas ele também sugeriu que os combates que se arrastam há anos poderiam terminar rapidamente.

“Em uma semana ou duas saberemos se vamos resolver isso, ou se essa horrível guerra vai continuar”, disse Trump, sugerindo até que as questões ainda a serem resolvidas não eram “excessivamente complexas”.

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Ainda assim, muito permanece sem resolução, incluindo pontos considerados incompatíveis — como se a Ucrânia cederá algum território para a Rússia, o futuro do Exército ucraniano e se o país terá, finalmente, garantias de segurança duradouras e significativas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caminha ao lado do presidente da Rússia, Vladimir Putin, antes de uma reunião bilateral em Anchorage, Alasca Foto: Andrew Caballero-reynolds/AFP

Trump disse que estava trabalhando para um encontro entre Putin e Zelenski. Mas não está claro se esse encontro vai acontecer. O presidente americano conversou com o líder russo por 40 minutos depois da reunião com os europeus.

Segundo a agência Reuters, Putin e Trump discutiram a ideia de elevar o nível dos representantes russos e ucranianos nas negociações de paz.

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Zelenski se mostrou aberto a conversar com Putin pessoalmente. “Mas para isso, é necessário o acordo de todos os lados”, disse ele./com AP