Trump usou a doutrina Monroe, a ‘lei do mais forte’, com Maduro, diz ex-embaixador Rubens Barbosa

Para diplomata aposentado, presidente americano aplicou uma diretriz de política externa americana do século 19 que buscava defender a soberania das Américas perante as potências europeias

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Foto do autor Roseann Kennedy
Atualização:

Os Estados Unidos atacaram a Venezuela com bombardeios em Caracas

Presidente americano confirmou bombardeios e prisão de Maduro em sua rede social; ditadura chavista decreta estado de emergência por ‘ofensiva imperialista’. Crédito: APVideoHub

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Em meio ao ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e à captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa, disse ao Estadão que o presidente americano Donald Trump aplicou os princípios da Doutrina Monroe, diretriz de política externa americana do século 19 que buscava defender a soberania das Américas perante as potências europeias, mas que, ao longo do século 20, foi usada para que o governo americano buscasse hegemonia sobre a região e justificasse intervenções em países latino-americanos.

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“A Doutrina Monroe é a aplicação da lei do mais forte, como comprovado pela captura de Maduro”, disse Barbosa.

Apesar disso, Barbosa avaliou que os EUA podem ter oferecido uma “saída digna” a Maduro após conversas entre os dois políticos ao longo das últimas semanas. Veículos americanos já haviam noticiado que o líder venezuelano considerava deixar o governo caso ele e sua família tivessem garantia de anistia. Para Barbosa, se negociações nessa linha ocorreram, “faz sentido a saída de Maduro sem resistência”.

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Trump disse no domingo, 30, que conversou por telefone com Maduro, mas não quis dar detalhes do que foi discutido. “Eu não quero comentar sobre isso. A resposta é sim”, afirmou o presidente à imprensa. “Não diria que (a ligação) foi boa ou ruim … foi apenas uma chamada telefônica”, completou ao ser questionado sobre como foi a conversa.

Barbosa ainda espera os desdobramentos da intervenção e os posicionamentos de Trump e da Venezuela para avaliar melhor o cenário, mas declarou inicialmente que “não cabe julgamento de Maduro nos Estados Unidos”.

A possibilidade de Maduro ser anistiado, no entanto, perdeu força após a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmar, neste sábado, que Maduro e sua esposa enfrentarão acusações criminais no Tribunal do Distrito Sul de Nova York.

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Maduro foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos.

Trump teria conversado com Maduro por telefone um dia antes da invasão Foto: KAMIL KRZACZYNSKI FEDERICO PARRA

Ataque americano

Os Estados Unidos atacaram a Venezuela com bombardeios em Caracas e capturaram Maduro e sua esposa neste sábado, 3. Trump confirmou a informação em sua rede social, a Truth Social. O presidente afirmou ainda que mais detalhes serão apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h (horário de Brasília), em Mar-a-Lago, na Flórida.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”.

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A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, afirmou em um áudio divulgado em redes de televisão e rádio que o paradeiro de Maduro e Cilia Flores é desconhecido e pediu por uma prova de vida do ditador e sua esposa. Rodríguez reiterou que os “planos de defesa integral da nação” permanecem ativos.