Lula faz reuniões preparatórias para encontro com Trump e assina acordo de semicondutores na Malásia
Enviado especial do Estadão fala sobre a viagem do presidente Lula.
ENVIADO ESPECIAL A KUALA LUMPUR — Um dos principais empresários a acompanhar a missão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Ásia, Joesley Batista, da JBS, afirmou neste sábado, dia 25, esperar que a reunião do petista com o presidente americano Donald Trump limpe os canais de comunicação de “ruídos e interferências”. Ele não espera uma negociação de tarifas.
“Reunião de presidentes, de alto nível, não é lugar onde se negocia tarifa. É onde se negocia a visão estratégica, sinaliza os caminhos que as equipes vão tomar e põe os ministros para se falarem”, disse o empresário. “Não é baixa para 10% ou 30%, tira carne ou o café.”
Segundo Joesley, mais do que a negociação de cada setor, o importante é estabelecer os canais de diálogo entre os negociadores-chefes e os presidentes e reforçar o bom convívio e a parceria entre os países. “O que me incomodava era eles não estarem conversando”, disse.

“Minha grande expectativa para amanhã é que limpem os canais de comunicação entre Brasil e EUA para poderem chegar ao melhor entendimento, cada um defendendo seus interesses. Se amanhã servir para solidificar a limpeza dos canais de comunicação, missão mais do que cumprida”, disse o empresário.
Joesley é dono de uma das empresas brasileiras mais influentes nos EUA. A JBS foi doadora de US$ 5 milhões para o comitê de posse de Trump e ele esteve, no mês passado, com o republicano na Casa Branca. Como o Estadão mostrou, Joesley disse que foi “falar bem do Brasil” ao presidente americano.
O empresário esteve com Lula na Indonésia, onde prospectou negócios, e não planejava continuar na rota até a Malásia, por razões familiares, mas mudou de ideia. Ele diz que já tentou ter informações sobre eventual redução de tarifas, como Trump acenou, mas não tem dados concretos.
Leia também
Lula diz que Trump ainda não fez exigências após americano condicionar redução do tarifaço
Trump confirma reunião com Lula e diz que pode reduzir tarifaço ao Brasil sob certas condições
Joesley não nega seu papel na tentativa de azeitar a relação entre os presidentes, mas evita dar detalhes da conversa com Trump. Segundo ele, “boa fama não se nega”. Em seus contatos nos EUA, ele diz ter se deparado com visões enviesadas da realidade política e econômica do Brasil, influenciadas pela oposição.
O pecuarista afirma que não está claro ainda o que os americanos desejam, e que as decisões de Trump serão tomadas por um contexto de informações, levadas por diferentes pessoas. Joesley vem perguntando sobre eventual acordo e interesses, mas não recebeu respostas conclusivas.
“Perguntei para vários congressistas: “Cara, qual é o produto que o Brasil deveria baixar o imposto? Qual é? Me dá um produto. Ele não sabia responder”, citou o dono da JBS.
O Estadão apurou que ele também estava em Nova York quando Lula e Trump interagiram pela primeira vez, nos bastidores da ONU, e se reuniu naqueles dias com Richard Grenell, o enviado especial para Missões Especiais de Trump, a quem conhece de longa data, e que foi peça-chave na aproximação com Lula. Como o Estadão revelou, Grenell fez uma missão secreta ao Rio de Janeiro e manteve contatos reservados com os principais nomes da diplomacia brasileira: o chanceler Mauro Vieira e o assessor especial Celso Amorim.
Lula diz que Trump ainda não fez exigências após americano condicionar redução do tarifaço
Presidente afirma que vai encontrar solução na conversa prevista para domingo, dia 26, na Malásia, e que Trump pode comer pedaço de seu bolo de aniversário.
Outro grupo que acompanha Lula na viagem é a cúpula da Embraer.
Os empresários desconversam quando indagados se foram convidados por Lula e se podem comparecer ao encontro ou interagir com Trump em algum momento. Joesley diz que a JBS não tem investimentos ou negócios a anunciar nos EUA. Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, disse que já disse a Trump tudo que tinha para indicar.
A fabricante de aviões nacional vai produzir para a Avelo Airlines, companhia aérea americana, 50 jatos E195-E2 nos próximos anos. O valor do negócio foi estimado em US$ 4,4 bilhões. Peças e motores desses modelos são feitas por empresas americanas, o que garante negócios do interesse de Trump.
“O que tenho de falar para ele, já falei. Agora tem de torcer para dar certo essa conversa amanhã”, disse Gomes Neto.
Viagem de Lula na Indonésia tem negócios da JBS com irmãos Batista
Empresários se destacam na comitiva presidencial e fecham 3 acordos durante cerimônia no palácio presidencial em Jacarta.





