'Eu ajudei muito o Elon', diz Trump
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Elon Musk e Donald Trump protagonizam uma disputa pública nas redes sociais, com Musk alegando, sem provas, que documentos sobre Jeffrey Epstein não foram divulgados por envolverem Trump. Epstein, condenado por abuso sexual de menores, tinha laços com figuras poderosas, incluindo Trump e Bill Clinton. A divulgação de documentos sobre Epstein gerou especulações e teorias da conspiração, mas revelou poucas novas informações. A Procuradora-Geral dos EUA anunciou a liberação de documentos, mas o ato foi visto como teatro político.
O empresário Elon Musk e o presidente dos EUA, Donald Trump, iniciaram nesta semana uma briga pública com ofensas e ameaças nas redes sociais, escalando para um rompimento. Em meio às declarações dos dois lados, Musk afirmou, sem apresentar provas, que documentos ligados à investigação do condenado por abuso sexual de menores Jeffrey Epstein não foram divulgados porque mencionam Trump.
Segundo o governo dos Estados Unidos, o financista Jeffrey Epstein explorou sexualmente mais de 250 meninas menores de idade ao longo de três décadas. Ele foi encontrado enforcado em sua cela em agosto de 2019, um mês após sua prisão por acusações federais de tráfico sexual, aos 66 anos, no que foi considerado suicídio.
Epstein, que abandonou a faculdade e se autoproclamava um gênio das finanças, acumulou uma fortuna no valor de US$ 600 milhões durante esse período e fez amizade com algumas das pessoas mais poderosas e famosas do mundo.

Amizade com famosos
O envolvimento de Epstein com famosos trouxe muita notoriedade à sua prisão. Nomes como o próprio Donald Trump, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, o príncipe Andrew do Reino Unido e celebridades como Kevin Spacey e Naomi Campbell já haviam aparecido como “amigos” de Epstein em algum momento.
Muitos dos nomes associados a Epstein vieram à tona pela primeira vez em 2015, quando o site noticioso americano Gawker publicou seu chamado “livro negro de nomes, números e endereços”, lista que incluía o magnata do varejo Leslie Wexner, o magnata do capital privado Leon Black, o cofundador da Microsoft Bill Gates e o capitalista de risco Reid Hoffman. Todos esses homens disseram que se arrependeram de sua associação com Epstein.
Famosos também viajaram nos aviões particulares de Epstein, de acordo com registros de voos divulgados anteriormente, testemunhos de julgamentos e processos judiciais. O registro de voo mais notável foi um documento de 118 páginas produzido durante o julgamento criminal de Ghislaine Maxwell, uma das associadas de longa data de Epstein e sua ex-namorada. Ela foi condenada em 2021 sob a acusação de ter ajudado Epstein em suas atividades de tráfico sexual.
Elon Musk também já havia sido associado ao criminoso sexual condenado, quando foi fotografado em uma festa em 2014 com Ghislaine Maxwell, imagem que circulou amplamente online. Em 2018, Epstein disse a um repórter do The New York Times que estava aconselhando Musk, embora ele tenha negado isso na época.
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“Lista de Epstein”
A grande repercussão do caso de Epstein deu origem a teorias da conspiração entre o grande público, com especulações sobre a existência de um grande complô de autoridades do governo para ocultar não apenas a causa da morte de Epstein, mas os nomes de homens poderosos que também teriam participado de seus crimes de abuso.
Os arquivos ligados ao caso são muitas vezes mencionados em plataformas de mídia de direita, como a Fox News e o próprio serviço de Trump, Truth Social, com os usuários demandando uma “lista de clientes de Epstein”, que detalharia os nomes dos homens para os quais Epstein adquiriu mulheres. No entanto, nunca houve referência a qualquer “lista de clientes” em nenhum dos processos civis movidos pelas vítimas, segundo o The New York Times.
Em fevereiro deste ano, a Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou a divulgação da “primeira fase” dos documentos secretos de Epstein. Ela já alimentava as especulações sobre os arquivos ligados à investigação antes de entrar para o governo Trump, ao falar em entrevistas à mídia sobre a recusa do governo em liberar os documentos.
A divulgação, no entanto, anunciada como um gesto que inauguraria uma nova era de transparência no Departamento de Justiça, foi confusa, durou um dia inteiro, e as cerca de 200 páginas de documentos publicadas continham poucas informações novas que apontassem para irregularidades cometidas por alguém que não fosse Epstein - a medida foi considerada principalmente um teatro político e gerou até mesmo algumas novas teorias da conspiração relacionadas ao caso. / COM NYT





