A resposta de Maduro às ameaças militares de Trump
Ditador venezuelano convocou milhões de integrantes de milícias armadas para defender país. Crédito: Bárbara Pereira
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou exercícios militares nas maiores comunidades do país nesta quarta-feira, 15, em resposta ao envio de navios dos Estados Unidos ao Caribe, que o chavismo denuncia como uma ameaça à paz regional.
Desde agosto, o governo do presidente Donald Trump envia navios de guerra ao Caribe para operações de combate ao tráfico de drogas, segundo Washington. O presidente americano acusa Maduro de liderar redes de narcotráfico.
Maduro nega as acusações e afirma que elas são uma desculpa para justificar uma incursão na Venezuela, que enfrenta a “ameaça militar mais letal e extravagante da história”.

"Vamos ativar toda a força militar de defesa integral, popular, militar e policial, ativadas e unidas”, disse Maduro em uma gravação de áudio no Telegram.
A televisão estatal mostrou imagens de veículos blindados mobilizados desde a madrugada em Petare, uma das maiores favelas da Venezuela, localizada perto de Caracas.
A mobilização desta quarta-feira abrange a capital e o estado vizinho de Miranda, onde vivem cerca de 7 milhões de pessoas.
Maduro afirmou que a mobilização busca “defender montanhas, costas, escolas, hospitais, fábricas, mercados” e comunidades “para continuar alcançando a paz”.
Saiba mais
Reforço militar dos EUA no Caribe sinaliza campanha mais ampla contra a Venezuela
Rubio impulsiona campanha do governo Trump para derrubar Maduro na Venezuela
Medo e esperança na Venezuela enquanto navios de guerra dos EUA espreitam
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, disse que os ataques dos Estados Unidos “visam apenas roubar da Venezuela seus imensos recursos naturais”.
Cabello indicou que os exercícios de mobilização fazem parte de uma “ofensiva permanente” contra o “cerco” e a “agressão” dos Estados Unidos.
Na terça-feira, Trump informou que as forças militares de seu país destruíram outra lancha que transportava “seis narcoterroristas”.
Pelo menos cinco pequenas embarcações foram bombardeadas desde 2 de setembro, deixando 27 mortos. Caracas denuncia essas ações como “execuções extrajudiciais”.

Pressão de Rubio e Trump
Embora os Estados Unidos tenham visado o que chamam de embarcações de drogas, o corte da diplomacia, a construção militar perto da Venezuela e as ameaças cada vez mais estridentes contra Maduro por parte de oficiais da administração Trump levaram muitos, em ambos os países, a pensar que o objetivo real da administração Trump é a remoção de Maduro.
Segundo Evan Ellis, professor e pesquisador sobre América Latina no Colégio de Guerra do Exército dos EUA, a probabilidade de um ataque “é de 50%”.
Marco Rubio, o secretário de estado dos EUA e conselheiro de segurança nacional, tem sido a voz líder na pressão da administração para derrubar Maduro. Ele chamou Maduro de um líder ilegítimo que é um “fugitivo da justiça americana” e tem sido cético quanto à abordagem diplomática conduzida por um enviado especial dos EUA, Richard Grenell.

Proponentes da diplomacia reconhecem que a abordagem linha-dura de Rubio prevaleceu até agora. Mas eles acreditam que esforços diplomáticos poderiam eventualmente dar frutos, apontando para as reversões repentinas de Trump em outras questões importantes de política externa, como a guerra na Ucrânia, o comércio com a China ou o programa nuclear do Irã.
Oficialmente, a ditadura venezuelana respondeu à escalada militar de Trump com desafio e promessas de defender o que chama de “revolução socialista” iniciada nos anos 90 por Hugo Chávez, antecessor e mentor de Maduro. Ao mesmo tempo, Maduro disse que permanece aberto a negociações e seu governo continua aceitando voos de deportação dos Estados Unidos.
Nos bastidores, no entanto, os altos oficiais venezuelanos, com a benção de Maduro, ofereceram a Washington concessões de longo alcance que eliminariam essencialmente os vestígios de nacionalismo de recursos no cerne do movimento de Chávez.
Enquanto Grenell e os oficiais venezuelanos progrediram em questões econômicas, eles falharam em concordar sobre o futuro político de Maduro, segundo pessoas próximas às negociações. O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, disse, em entrevista no mês passado, que Maduro não negociaria sua saída.
Maduro reprimiu repetidamente desafios democráticos a seu governo desde que assumiu a presidência em 2013. Ele se manteve no poder no ano passado, depois de perder uma eleição presidencial, manipulando os resultados e reprimindo brutalmente os protestos. / AFP e NYT








