Por que encontro entre Trump e Putin no Alasca sobre a guerra na Ucrânia pode ser histórico? Entenda
Presidentes da Rússia e dos EUA terão reunião inédita em solo americano para discutir possível trégua no conflito. Crédito: Gabriella Lodi, Daniel Gateno e Carol Marins | Estadão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se encontrarão nesta sexta-feira, no Alasca. A reunião é um evento histórico sem precedentes. É o primeiro encontro cara a cara dos dois desde junho de 2019 e a primeira vez que um presidente dos EUA vai se reunir com o líder russo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.
Mas afinal, por que o encontro pode ser histórico?
A cúpula desta sexta marca a primeira vez que Putin vai aos Estados Unidos em 10 anos. A última vez que ele pisou em território americano foi em 2015 para a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, onde ele se encontrou com o presidente americano da época, Barack Obama.
Já a escolha do Alasca para o palco da reunião também foi muito simbólica. O local era território da Rússia até 1867 e destaca os laços históricos e geopolíticos entre os países.
Desde que voltou para a Casa Branca em janeiro desde ano, Trump prometeu diversas vezes pôr fim à guerra na Ucrânia. Mas em meio à falta de progresso para acabar com o conflito de mais de 3 anos, o presidente americano sugeriu a possibilidade de discutir concessões e trocas de territórios entre a Rússia e a Ucrânia na reunião com Putin.
Às vésperas da reunião, o presidente americano afirmou em um programa de rádio da Fox News que está confiante que o líder russo vai fechar um acordo de paz com a Ucrânia.
Contudo, Charles Kupchan, analista do Council on Foreign Relations e professor de relações internacionais da Universidade de Georgetown, explica que não há indícios de que Putin esteja pronto para se comprometer em um acordo que seja viável para a Ucrânia.
“Ainda não há nenhum sinal claro de que Putin esteja preparado para fazer concessões e abandonar seus objetivos de guerra maximalistas, que incluem a desmilitarização da Ucrânia, a provável ruptura política da Ucrânia e a instalação de um governo pró-Rússia”, afirma.

Já o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, que não vai participar do encontro, tem reservas sobre o redesenho do território na reunião, sem a sua aprovação.
Zelenski rejeitou a ideia qualquer tipo de troca territorial e defendeu que o caminho para a paz não pode ser definido sem a Ucrânia. Trump e Zelenski também conversaram nas vésperas da reunião com Putin junto com líderes europeus, que destacaram suas expectativas para o avanço na resolução do conflito.
Moscou exige que a Ucrânia ceda quatro regiões parcialmente ocupadas: Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, bem como a Crimeia, anexada em 2014, e que renuncie ao fornecimento de armas ocidentais e a qualquer adesão à Otan. Essas exigências são inaceitáveis para Kiev, que pede a retirada das tropas russas e garantias de segurança ocidentais.
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Carlos Poggio, doutor em Relações Internacionais, especialista em política dos Estados Unidos e professor de ciência política do Berea College, destaca que “é muito difícil um acordo de paz que não garanta não só a sobrevivência presente da Ucrânia, mas a sobrevivência futura da Ucrânia” durante a reunião.






