Pressão contra Israel cresce na comunidade internacional após mortes de civis à espera de ajuda

Segundo dados da ONU, mais de 1000 palestinos foram mortos enquanto tentavam atingir os locais de coleta de ajuda humanitária em Gaza

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Por Redação

Israel e Hamas se acusam mutuamente de sabotar negociações para trégua em Gaza

Domingo de novos bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza, com mais 20 palestinos mortos confirmados por autoridades do território devastado pela guerra. Crédito: AFP

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TEL-AVIV -A pressão contra Israel está crescendo cada vez mais dentro da comunidade internacional após as constantes mortes em pontos de coleta de ajuda humanitária e o anúncio realizado no domingo, 20, de que o Exército de Israel iria iniciar operações terrestres em Deir el-Balah, uma cidade que abriga centenas de milhares de refugiados e não tinha sido alvo de incursões israelenses desde o início da guerra.

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Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, 22, a ONU acusou o Exército de Israel de matar mais de 1000 pessoas que tentavam obter ajuda humanitária na Faixa de Gaza desde o final de maio. Segundo a organização, a maioria das mortes ocorreu perto das instalações da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), entidade apoiada por Israel e Estados Unidos.

“Mais de 1.000 palestinos foram assassinados pelo Exército israelense enquanto tentavam obter alimentos em Gaza desde que a Fundação Humanitária de Gaza (GHF) começou a operar”, informou à AFP o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Palestinos tentam receber comida em uma zona humanitária na cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza Foto: AFP/AFP

A GHF começou a distribuir cestas básicas em 26 de maio, após mais de dois meses de bloqueio imposto por Israel à entrada de qualquer ajuda humanitária e apesar dos alertas sobre o risco de fome.

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“Até 21 de julho, registramos 1.054 pessoas mortas em Gaza enquanto tentavam obter alimentos; 766 delas morreram perto das instalações da GHF e 288 perto de comboios de ajuda da ONU e de outras organizações humanitárias”, disse o Alto Comissariado para os Direitos Humanos à AFP, afirmando que foi “o Exército israelense” que matou essas pessoas.

“Nossos dados são baseados em informações de diversas fontes confiáveis no local, incluindo equipes médicas, organizações humanitárias e defensores dos direitos humanos”, explicou.

Palestinos caminham pelo campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza  Foto: Omar Al-qattaa/AFP

A ONU e as principais organizações humanitárias se recusam a trabalhar com a Fundação Humanitária de Gaza (GHF), alegando que ela atende a objetivos militares israelenses e viola os princípios humanitários fundamentais.

Críticas

A situação cada vez mais grave fez com que a comunidade internacional subisse o tom contra a maneira que Israel está atuando em Gaza.

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Na segunda-feira, 21, a Organização Mundial da Saúde (OMS) denunciou os ataques israelenses a várias de suas instalações no centro de Gaza, após Israel anunciar a expansão de suas operações terrestres ao redor de Deir el-Balah.

Já a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse que “matar civis que buscam ajuda em Gaza é inaceitável”.

Civis palestinos se deslocam da cidade de Deir el-Balah após um aviso israelense de que operaria na cidade Foto: Eyad Baba/AFP

“Conversei novamente com [o ministro das Relações Exteriores de Israel] Gideon Saar para revisar a nossa visão sobre o fluxo de ajuda e deixei claro que o Exército israelense deve parar de matar pessoas nos pontos de distribuição", enfatizou Kallas na rede social X.

O patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, disse nesta terça-feira que a situação humanitária na Faixa de Gaza é “moralmente inaceitável” após visitar o território palestino.

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Na segunda-feira, 25 países, incluindo França, Espanha, Reino Unido, Canadá e Austrália, publicaram um manifesto em que pedem o fim da guerra em Gaza. Os ministros das Relações Exteriores destes países afirmaram que “o sofrimento dos civis em Gaza atingiu novos patamares”.

Eles condenaram “o fornecimento restrito de ajuda humanitária e a matança desumana de civis, incluindo crianças, que buscam atender às suas necessidades mais básicas de água e comida”.

O chanceler de Israel, Gideon Sa’ar, condenou o manifesto e enfatizou que o apoio do Hamas à declaração demonstra que os signatários estavam no caminho errado.

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Avanço da operação terrestre

Em meio a pressão internacional, o Exército de Israel iniciou operações terrestres na cidade de Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, pela primeira vez desde o início da guerra com o grupo terrorista Hamas. A cidade concentra dezenas de milhares de refugiados do conflito.

O Exército ordenou aos civis que se dirijam para o sul do território palestino. Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), entre 50.000 e 80.000 pessoas estavam na área naquele momento, e quase 88% de Gaza está agora sob ordem de deslocamento israelense ou incluída em uma zona militarizada israelense.

Palestinos caminham em uma rodovia em Jabalia para o local de coleta de ajuda humanitária no norte da Faixa de Gaza Foto: Omar Al-qattaa/AFP

Deir al-Balah é uma das poucas cidades de Gaza que o Exército de Israel não realizou operações terrestres. Tel-Aviv acredita que o Hamas esteja mantendo reféns israelenses no local. O grupo terrorista prometeu executar os sequestrados se os militares israelenses se aproximarem dos locais onde eles estão.

A guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas começou no dia 7 de outubro de 2023, quando terroristas do Hamas invadiram o sul de Israel, mataram 1,2 mil pessoas e sequestraram 250.

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Tel-Aviv iniciou uma operação militar em Gaza após o ataque, com incursões terrestres e bombardeios aéreos. Segundo o ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas e não diferencia civis de terroristas, 58 mil pessoas morreram no território palestino desde o início do conflito./com AFP