Grupo de reféns israelenses libertados é entregue à Cruz Vermelha em Khan Younis
Imagens do transporte dos reféns israelenses soltos pelo Hamas após acordo mediado por Donald Trump. Crédito: AFP | APVideoHub
Gerando resumo
Os últimos 20 reféns israelenses sobreviventes, mantidos em cativeiro na Faixa de Gaza, por dois anos, foram libertados nesta segunda-feira, 13. Israel confirmou que eles já retornaram ao país.
Os vinte libertados foram capturados por militantes islâmicos durante o ataque do grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, que desencadeou a guerra em Gaza.
Pelo acordo firmado na semana passada, as forças israelenses recuaram para uma nova linha dentro da Faixa de Gaza na sexta-feira, 10, abrindo um prazo de 72 horas para a libertação dos reféns.
O grupo terrorista Hamas libertou todos os reféns vivos nesta segunda-feira e Tel-Aviv está no processo de libertar 2 mil prisioneiros palestinos.
O Hamas é obrigado, pelo cessar-fogo, a entregar os restos mortais dos reféns falecidos, mas não está claro com que rapidez isso acontecerá.
Israel acredita que 26 reféns estejam mortos, enquanto o estado de saúde de outros dois reféns não foi confirmado. Autoridades disseram que o Hamas terá que procurar os restos mortais de alguns reféns, o que pode levar algum tempo.

Quem são os reféns libertados:
Matan Angrest, 22 anos
O suboficial Matan Angrest foi capturado em seu tanque perto da Faixa de Gaza após tentar impedir a infiltração de comandos islamistas perto da base militar de Nahal Oz.
Os três companheiros que estavam com ele no tanque morreram, e os corpos de dois deles ainda estão em Gaza.
Em um vídeo divulgado por sua família em abril de 2025, é possível ver o momento em que ele é capturado em seu tanque.
Gali e Ziv Berman, 28 anos
Os gêmeos Gali e Ziv Berman, que agora têm 28 anos, foram sequestrados no kibutz Kfar Aza, incendiado pelos comandos do Hamas.
Inseparáveis, os dois irmãos, que também possuem nacionalidade alemã, trabalhavam juntos na área de produção musical.
Seus pais e seu irmão mais velho sobreviveram ao assalto dos islamistas.
Elkana Bohbot, 36 anos
Elkana Bohbot era um dos produtores do festival Nova, junto com seus amigos de infância Michael e Osher Waknin, massacrados em 7 de outubro junto com cerca de 370 pessoas nesta festa de música techno.
No dia do ataque do Hamas, um vídeo foi divulgado mostrando-o algemado e ferido no rosto enquanto era conduzido por seus sequestradores.
Bohbot é casado com uma israelense de origem colombiana, Rebecca González. Pai de um filho pequeno, vivia perto de Jerusalém. O presidente Gustavo Petro lhe concedeu a nacionalidade colombiana em novembro de 2023.
Sua esposa disse em fevereiro deste ano que recebeu uma “prova de vida” de Ohad Ben Ami, que foi libertado de seu cativeiro em 8 de fevereiro e passou vários meses com Bohbot em Gaza.
Antes de seu sequestro, Bohbot planejava abrir uma loja de sorvetes em Tel Aviv, de acordo com seus pais.
O refém apareceu em maio em um vídeo divulgado pelo Hamas, ao lado de Yosef Haim Ohana. Elkana Bohbot aparece em silêncio, visivelmente enfraquecido e deitado sob um cobertor.
Rom Braslavski, 21 anos
Nativo de Jerusalém, Rom Braslavski, também cidadão alemão, estava encarregado da segurança do festival Nova.
Entre 10h30, a última vez que ele contatou sua mãe, e 13h30, a hora em que desapareceu, ele permaneceu no local ajudando muitos dos participantes, de acordo com o testemunho dos sobreviventes. Durante o ataque, ele foi ferido em ambas as mãos.
Em agosto deste ano, a Jihad Islâmica, um movimento armado aliado do grupo terrorista Hamas, publicou um vídeo dele falando sob ameaça, muito debilitado e magro.
Nimrod Cohen, 21 anos
Estacionado em 7 de outubro perto do kibutz de Nahal Oz com sua unidade blindada, Nimrod Cohen ficou imobilizado devido a problemas mecânicos em seu tanque.
O soldado foi retirado do veículo pelos atacantes, junto com outros três militares, de acordo com vídeos publicados pelo Hamas.
Seus três companheiros de armas, Omer Neutra, Oz Daniel e Shaked Dahan, morreram em 7 de outubro e seus corpos foram levados para Gaza.
Seus pais, Yehuda e Viki Cohen, participam de todas as manifestações, com cartazes e fotos exigindo a libertação dos reféns.
Cohen nunca se separava de seu cubo Rubik. Sua mãe guarda carinhosamente o exemplar que o exército lhe entregou após encontrá-lo no tanque de seu filho.
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David e Ariel Cunio, 35 e 28 anos
Os irmãos israelenses-argentinos David e Ariel Cunio foram sequestrados com sua família enquanto se escondiam no quarto de segurança da casa de David no kibutz de Nir Oz. Para forçá-los a sair, os assaltantes incendiaram a casa.
Sua família é a que tem o maior número de reféns capturados, oito.
Sharon Aloni Cunio (34 anos), esposa de David Cunio, bem como suas duas filhas gêmeas de três anos, sua irmã Danielle Aloni (44) e a filha dela (cinco anos) foram libertadas durante a trégua de uma semana em novembro de 2023.
A noiva de Ariel Cunio, Arbel Yehoud, de 28 anos, foi libertada em 30 de janeiro passado.
O cineasta israelense Tom Shoval apresentou em fevereiro na Berlinale o filme “Carta a David”, que presta homenagem a David Cunio.
Em 2013, David Cunio e seu irmão gêmeo Eitan apresentaram no festival de Berlim o filme “Youth”, no qual interpretam os personagens principais, sob a direção de Shoval.
Eitan Cunio escapou das mãos do Hamas escondendo-se em seu refúgio de Nir Oz. Os dois irmãos gêmeos têm a mesma tatuagem de três estrelas escuras no pulso.
O filme “Carta a David” recebeu em setembro o Ofir (equivalente israelense do Oscar) de melhor documentário.
Evyatar David, 24 anos
Os pais de Evyatar David souberam que seu filho estava cativo em Gaza por uma foto recebida na rede social Telegram. Nela, o jovem aparece com o rosto iluminado por uma lanterna de bolso.
No dia 7 de outubro, participava com seu amigo de infância Guy Gilboa-Dalal no festival Nova. Este também foi sequestrado e acredita-se que esteja vivo.
Apaixonado por música, trabalhava em um café para juntar dinheiro, sonhando em viajar para Tailândia.
Em agosto, o Hamas divulgou um vídeo em que se via Evyatar David muito debilitado pela falta de comida.
Guy Gilboa-Dalal, 24 anos
Guy Gilboa-Dalal participava com três amigos em sua primeira rave party quando foi sequestrado no festival Nova. Sua família soube do sequestro ao ver um vídeo dele e de seu melhor amigo, Evyatar David, amarrados em um túnel de Gaza.
Segundo o testemunho de um refém liberado em junho durante uma operação do exército israelense, sofreu abusos de seus sequestradores.
Guy Gilboa-Dalal e Evyatar David apareceram em fevereiro em um vídeo do Hamas, onde se veem acompanhando a cerimônia de libertação de outros reféns de Gaza, e depois trancados em um veículo.
Também aparece em um vídeo divulgado pelo Hamas em 5 de setembro, em um túnel com o refém Alon Ohel.
Apaixonado por Japão, Guy Gilboa-Dalal aprendeu o idioma para viajar para lá um dia. Trabalhava com informática.
Maxim Herkin, 37 anos
Israelense e russo, Maxim Herkin é pai de uma menina que agora tem cinco anos e mora com sua mãe na Rússia. Maxim havia emigrado para Israel vindo da Ucrânia.
Antes de ser sequestrado do festival Nova, escreveu para sua mãe esta mensagem: “está tudo bem, estou voltando”.
Na primavera de 2025, o Hamas divulgou um vídeo em que Maxim Herkin aparece deitado, com a cabeça e o braço esquerdo cobertos por bandagens manchadas de marrom.
Eitan Horn, 39 anos
Eitan Horn foi sequestrado na casa do seu irmão mais velho, Yair Horn, no kibutz Nir Oz.
Yair, também sequestrado naquele dia e sofrendo de diabetes, foi liberado em fevereiro deste ano. Até então, os dois irmãos passaram juntos o cativeiro.
A família Horn emigrou da Argentina há anos.
Eitan, educador, trabalhou por muito tempo com diferentes movimentos juvenis, com os quais esteve também no Peru.
Segev Kalfon, 27 anos
Segev Kalfon trabalhava com seu pai na padaria da família em Arad, no deserto de Neguev.
Seu amigo de infância, que estava com ele no festival Nova, contou os detalhes de sua captura. Os milicianos o surpreenderam quando estava escondido em um arbusto à beira da estrada 232, que conecta os kibutz ao longo da fronteira com Gaza.
Bar Kuperstein, 23 anos
Antes de ser sequestrado no festival Nova, Bar Kuperstein tentou socorrer os assistentes do festival feridos por tiros.
Era enfermeiro do exército, mas naquele dia não estava de serviço. Pouco depois de seu sequestro, vídeos em que aparecia amarrado foram divulgados.
Kuperstein é originário de Holon, perto de Tel Aviv. Seu pai, Tal, sofreu um acidente que o deixou incapacitado. Não pode falar nem se mover. Em parte por isso, Bar assumiu o papel de pai da família desde os 17 anos.
Nos últimos meses, Kuperstein conseguiu se expressar, embora com dificuldade. Explicou à AFP que queria surpreender seu filho quando voltasse.
Omri Miran, 48 anos
Omri Miran, massagista e terapeuta que também tem nacionalidade húngara, foi sequestrado no kibutz Nahal Oz, onde vivia, na presença de sua esposa Lichay Miran-Lavi e suas duas filhas pequenas, que foram deixadas em liberdade.
Seu pai, Dani Miran, deixa crescer a barba à espera do retorno de seu filho, depois de tê-lo visto, barbudo, em um vídeo publicado pelo Hamas em abril de 2024. Considera que, se seu filho não pode se barbear, ele também não fará.
No vídeo, Omri Miran pareceu falar sob coação e descreveu uma “situação difícil” pelos “numerosos bombardeios” israelenses em Gaza.
Apareceu novamente em outro vídeo divulgado pelo Hamas em 23 de abril de 2025.
Eitan Mor, 25 anos
Primogênito de oito filhos, em uma família religiosa da colônia de Kyriat Arba, na Cisjordânia ocupada, Eitan Mor estava no festival Nova como agente de segurança com vários amigos.
Seu pai, Tzvika Mor, é o fundador do Fórum da Esperança, um coletivo de pais de reféns contrários a qualquer acordo com o Hamas, e que exige das autoridades israelenses uma maior pressão militar para que os islamistas se rendam e entreguem os cativos.
Eitan Mor trabalhava em um café em Jerusalém e sonhava em abrir seu próprio restaurante. Mantinha contato com seus pais, apesar de ter se distanciado da religião.
Yosef Haim Ohana, 25 anos
Yosef Haim Ohana tinha planos de estudar ‘coaching’, mas foi sequestrado no festival Nova, onde trabalhava como barman.
Foi visto ajudando feridos antes de fugir com um amigo.
Filho de pais divorciados, Ohana perdeu durante sua infância seu irmão Acher-Yitzhak, que faleceu de câncer aos 7 anos.
O refém apareceu em maio em um vídeo divulgado pelo Hamas junto com outro cativo, Elkana Bohbot.
Alon Ohel, 24 anos
Alon Ohel, um talentoso pianista que estava prestes a começar seus estudos musicais em uma prestigiosa escola, foi sequestrado no festival Nova após retornar de uma viagem pela Ásia.
O jovem foi capturado junto com outros três jovens em um refúgio na estrada 232, que conecta os kibutz nos limites de Gaza.
Vivia em Lavon, uma aldeia no norte de Israel. Também tem nacionalidade sérvia e alemã.
A família de Ohel declarou em fevereiro de 2025 que recebeu uma primeira prova de vida graças aos testemunhos de outros cativos libertados.
“É evidente que Alon está perdendo a visão do olho direito e parece magro e angustiado”, disseram seus pais depois que o Hamas divulgou um vídeo de seu filho em setembro.
Avinatan Or, 32 anos
Nascido em uma família religiosa da colônia de Shilo, na Cisjordânia ocupada, Avinatan Or é o segundo de sete irmãos.
Sua parceira, Noa Argamani, sequestrada ao mesmo tempo que ele no festival Nova, foi libertada em uma operação militar israelense em junho de 2024.
Ambos tinham o projeto de se estabelecer em Beersheva, no sul de Israel, onde ele havia feito estudos de engenharia.
Também tem nacionalidade britânica.
Matan Zangauker, 25 anos
Matan Zangauker foi sequestrado em sua casa, no kibutz Nir Oz, junto com Ilana Gritzewsky, sua parceira israelense-mexicana, libertada em 30 de novembro de 2023, no último dia do primeiro cessar-fogo.
Gritzewsky se tornou uma das principais figuras pela libertação dos reféns junto com a mãe de seu parceiro, Einav Zangauker.
Em setembro de 2025, Zangauker ameaçou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com processá-lo por “assassinato” se seu filho não fosse libertado com vida.
Matan Zangauker trabalhava na fazenda de cannabis medicinal de Nir Oz.
Discurso de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira, que Israel deve aproveitar o fim da guerra na Faixa de Gaza para trabalhar em direção à paz no Oriente Médio.
Em um longo discurso na Knesset, o Parlamento de Israel, Trump agradeceu os esforços dos mediadores e disse que está determinado em alcançar um acordo de paz regional.
“Daqui a gerações, este será lembrado como o momento em que tudo começou a mudar”, declarou o republicano, que foi ovacionado pelos parlamentares israelenses.
Em seu discurso, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu disse que Trump é “o maior amigo que Israel já teve na Casa Branca” e prometeu trabalhar com ele no futuro.
“Senhor presidente, você está comprometido com esta paz. Eu estou comprometido com esta paz”, disse ele. “E juntos, Senhor presidente, alcançaremos esta paz.” /Com NYT, AP e AFP





