Conselheira do Pacto Global da ONU e lidera a operação de Corporate Venture Builder da Fisher Venture Builder. Escreve mensalmente às terças

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Imaginar o Brasil do futuro exige coragem

Nosso maior desafio não é só tecnológico

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Foto do autor Amanda Graciano

O Brasil desaprendeu a imaginar. A gente sobrevive o presente, repete o passado e terceiriza o futuro. E não estou falando só de tecnologia ou política. Estou falando de visão. De perspectiva. De vontade coletiva de construir algo que ainda não existe.

2025 está terminando e, ao longo do ano, escutei muitas perguntas urgentes. Como escalar a inteligência artificial (IA)? Como treinar times para lidar com incertezas? Como crescer no meio do caos? Todas válidas. Mas tem uma que quase ninguém faz: para onde a gente está indo?

Imaginar o Brasil de 2030, 2050 e além exige coragem Foto: Donatas Dabravolskas/Adobe Stock

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A sensação é de que nosso repertório de futuro encolheu. Falamos muito em inovação, mas pouco em transformação real. Corremos atrás da próxima tendência, mas esquecemos de olhar para o próximo ciclo. E sem imaginação estratégica, qualquer tecnologia vira moda passageira. Qualquer país vira projeto inacabado.

2030 parece um número bonito pras promessas públicas, metas de ESG e planos corporativos que brilham em apresentações de conselho. Mas será que estamos mesmo construindo esse amanhã? Ou só empurrando as mesmas lógicas adiante, com ferramentas mais modernas e discursos mais sofisticados?

Imaginar o Brasil de 2030, 2050 e além exige coragem. Coragem de olhar para o que nos trava: desigualdade estrutural, educação precária, políticas rasas, medo crônico de errar, violência crescente contra mulheres. Mas também exige sensibilidade para enxergar o que está nascendo: juventudes inquietas criando soluções nos territórios, lideranças negras e indígenas reescrevendo as regras, inovações que colocam gente e planeta no centro da equação.

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Esses futuros possíveis não estão nos painéis de tendência. Estão nas escolas da elite, com currículos globais e recursos infinitos, e nas periferias, onde alunos e professores constroem seus próprios caminhos. Estão nas startups que crescem longe dos grandes centros. Estão nas cooperativas que desafiam a lógica tradicional de escala e lucro. Só que é difícil enxergar o que vem quando a lente continua a mesma de sempre.

Nosso maior desafio não é só tecnológico. É narrativo. É simbólico. É emocional. A gente precisa contar histórias melhores sobre nós mesmos. Precisamos imaginar com mais afeto, mais complexidade e mais ousadia. Não pra negar os dados, mas pra ultrapassar os limites que eles carregam. Dados mostram o que já aconteceu. Imaginação aponta o que ainda pode ser.

A cada final de ano fazemos listas. Planejamentos. Metas. Indicadores. Mas talvez o exercício mais necessário para 2026 seja esse: reaprender a imaginar. Como país. Como mercado. Como gente.

Porque o Brasil que a gente quer não vai nascer do improviso.

Opinião por Amanda Graciano

Conselheira do Pacto Global da ONU e Managing Partner no Experience Club