Instagram do papa Francisco: qual o futuro da conta do pontífice?

Decisão sobre a conta @franciscus pode ser tomada após o conclave; diretrizes da plataforma permitem duas opções

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Foto do autor Alice Labate
Atualização:

A morte do papa Francisco, na segunda-feira, 21, aos 88 anos, trouxe uma questão inédita para o legado de um pontífice: o que acontece com as contas em redes sociais do líder do Vaticano quando ele morre? A situação é curiosa, mas, assim como ocorreu em outras áreas de seu pontificado, Francisco foi o primeiro líder da igreja católica com presença massiva nas redes sociais. Assim, o destino da conta no Instagram, @franciscus, é incerto e algumas possibilidades estão na mesa: transformar o perfil em um memorial ou transferir a titularidade para o próximo papa.

Procurada pela reportagem, a Meta não comentou o assunto. O Vaticano também não se manifestou publicamente sobre a questão.

Papa Francisco morreu na segunda-feira, 21, com uma comunidade de quase 10 milhões de seguidores no Instagram Foto: Divulgação

Criado em 2016, o perfil de Francisco marcou a estreia do Vaticano no Instagram — foi a primeira vez que um pontífice utilizou ativamente a plataforma para se comunicar com fiéis. Com mais de 10 milhões de seguidores, o @franciscus tornou-se um canal central de divulgação das mensagens do papa. O último post dele foi no domingo de Páscoa, horas antes de passar mal e morrer.

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Diferentemente do X (ex-Twitter), onde a conta @Pontifex é considerada institucional e passa de um papa para outro, o Instagram é tratado pela Meta como uma rede de caráter pessoal. Isso significa que, caso o Vaticano queira manter a conta ativa, será necessário seguir diretrizes específicas para a transferência de gestão.

Segundo as regras da Meta, familiares ou representantes legais de figuras públicas falecidas podem solicitar o controle da conta. Para isso, é preciso apresentar documentos que comprovem a legitimidade da solicitação, como certidão de óbito. A empresa avalia cada caso e, se aprovada, a transferência é autorizada.

Outra opção prevista nas diretrizes da plataforma é a transformação da conta em memorial. Nesse formato, o perfil permanece visível ao público, mas deixa de permitir novas postagens ou interações. Um selo é adicionado para indicar que o titular faleceu, e o espaço passa a funcionar como uma homenagem.

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Esse modelo foi adotado, por exemplo, com o perfil do cantor Jonghyun, ex-integrante do grupo sul-coreano SHINee, que morreu em 2017. A conta permanece como um memorial digital, reunindo mensagens de fãs e preservando as publicações feitas em vida.

Para que uma conta se transforme em memorial, familiares ou representantes devem solicitar a mudança à Meta, com os devidos documentos. O perfil não pode ser usado para fins comerciais ou monetização, sendo mantido apenas como um espaço de recordação.

A decisão sobre o destino da conta @franciscus deve ser tomada após o conclave, que reunirá os cardeais da Igreja Católica para eleger o novo papa. Até lá, perfil deverá seguirá ativo, mas sem atualizações.

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Se a opção for pela continuidade da conta com o novo pontífice, o perfil vai manter a base de seguidores já consolidada. Do ponto de vista simbólico, a transferência reforçaria a noção de que as redes sociais do papa pertencem ao cargo, e não à figura individual que o ocupa, assim como o modelo semelhante ao adotado pelo perfil presidencial dos EUA, que permanece ativo e é transferido a cada novo mandato.

A expectativa é que, caso haja transferência, a identidade visual, o nome de usuário e o estilo das postagens sejam atualizados para refletir a nova liderança. Já em caso de memorial, os conteúdos publicados por Francisco seriam preservados como arquivo público de seu pontificado.

Perfil de Papa Francisco no Instagram pode virar um memorial ou ser transferido para o próximo pontífice Foto: Alice Labate/Estadão

Ineditismo

O futuro do Instagram pessoal de um papa é inédito. João Paulo II morreu em 2005, sendo o último papa a deixar a vida enquanto ocupava o cargo. Seu sucessor, Bento XVI, renunciou em fevereiro de 2013, a primeira renúncia papal em quase 600 anos, e só morreu em 2022, já fora do pontificado. Quando João Paulo II morreu, o Facebook ainda engatinhava, com apenas um ano de existência, e o Orkut era a rede social dominante, especialmente no Brasil. Naquele momento, não era comum que figuras públicas tivessem perfis ativos nas redes sociais.

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CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

Durante o papado de Bento XVI, a internet passou por grandes transformações e o Twitter se tornou um espaço onde figuras públicas abriam perfis oficiais. O Vaticano abriu sua conta oficial na rede do passarinho, a @Pontifex, em fevereiro de 2012, ainda durante o pontificado de Bento. O perfil, no entanto, não tinha caráter pessoal. Dois meses após a inauguração do perfil, a Meta (então Facebook) comprou o Instagram, mas a rede de fotos estava longe do caráter dos dias atuais.

Quando Francisco assumiu como papa, em 13 de março de 2013, nenhuma nova conta institucional foi aberta no Instagram. Foi só em 19 de março de 2016, três anos depois, que o Vaticano criou a conta @franciscus na rede de fotos. A data foi escolhida por ser o Dia de São José, santo do qual o papa é devoto, e marcou um momento inédito: pela primeira vez, um pontífice usava a plataforma para se comunicar diretamente com fiéis por meio de fotos e vídeos.

A criação da conta também rompeu com o ritmo mais cauteloso com que a Igreja costuma acompanhar as tendências digitais. Historicamente, o Vaticano adota uma postura mais conservadora diante das redes sociais, aderindo a novas plataformas com certo atraso em relação ao restante do mundo, especialmente quando se trata de figuras de autoridade como o papa. Foi só em janeiro deste ano, por exemplo, que ele criou uma conta no TikTok.

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