Anunciada em março pela startup chinesa Butterfly Effect, a inteligência artificial (IA) Manus AI vem chamando a atenção do mercado por uma proposta ousada: executar ações no computador de maneira autônoma, quase sem a necessidade de comandos contínuos. Diferente de modelos como ChatGPT, Gemini ou até mesmo da também chinesa DeepSeek, a Manus promete funcionamento independente, dispensando prompts ou instruções textuais constantes.
A plataforma, ainda em fase de testes, é apresentada como um “chatbot verdadeiramente autônomo”, capaz de interpretar contextos e executar tarefas completas, do planejamento à execução, sem supervisão humana contínua. A promessa é que o sistema funcione como um assistente multifuncional, realizando atividades de forma autônoma.

O cientista-chefe Yichao Ji, cofundador da startup, afirma que o sistema representa um vislumbre da chamada “inteligência artificial geral” (AGI, na sigla em inglês), conceito que descreve sistemas com capacidades cognitivas humanas. Veja a seguir mais detalhes sobre a nova IA.
O que é a Manus AI?
Lançada oficialmente no dia 5 de março, a Manus AI é uma plataforma de IA desenvolvida pela empresa chinesa Butterfly Effect. O nome do software faz referência à expressão latina Mens et Manus, que significa “mente e mãos”, refletindo sua proposta de unir raciocínio e ação.
O grande diferencial da Manus é a autonomia: ao contrário da maioria das IAs atuais, ela não depende só de prompts, comandos por texto ou voz, para funcionar. O sistema interpreta contextos e executa atividades sozinho. Na prática, ela pode navegar por sites, organizar informações, criar conteúdo e tomar decisões estratégicas com base em dados, tudo isso sem intervenção constante.
A estrutura interna da Manus é baseada em uma arquitetura multiagente. Isso significa que ela opera com várias IAs especializadas em tarefas específicas, coordenadas por um agente principal. Esse design permite que o sistema realize fluxos de trabalho complexos de forma assíncrona, otimizando desempenho e reduzindo a dependência humana.
Como acessar a Manus AI?
Apesar do interesse crescente, o acesso à Manus AI ainda é bastante restrito. A plataforma encontra-se em fase beta e funciona apenas por meio de convites enviados pela própria Butterfly Effect. Isso significa que, por ora, o público geral não pode experimentar diretamente o software, mas pode acompanhar demonstrações disponíveis no site oficial da empresa.
Aqueles que têm acesso à versão beta relatam que a Manus é capaz de realizar tarefas variadas: desde pesquisas de opinião e análise de ações até organização de dados e otimização de SEO. O sistema também tem capacidade para agendar entrevistas de emprego, preparar planos de viagem ou buscar fornecedores, tudo com mínimo envolvimento do usuário.
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Uma das novidades mais comentadas é a maneira como a Manus interage com o ambiente digital. Em vez de responder perguntas diretamente, como um chatbot tradicional, a IA utiliza o computador do usuário, movimenta o cursor, digita comandos, abre sites e executa tarefas como se fosse uma pessoa operando a máquina. Isso torna a experiência ainda mais fluida e menos dependente de interações manuais.
Segundo o cofundador Yichao Ji, a empresa pretende liberar parte do código-fonte da ferramenta ainda este ano, como forma de estimular a comunidade de desenvolvedores a experimentar e propor melhorias. A liberação, no entanto, ainda não tem data definida.
Que serviços a plataforma oferece?
A Manus AI se propõe a ser mais do que uma ferramenta pontual de automação: ela é apresentada como um sistema de execução inteligente. Entre os serviços disponíveis estão análise financeira, planejamento estratégico, criação de conteúdo, automatização de tarefas criativas e suporte em decisões empresariais.
A IA pode, por exemplo, estruturar relatórios com base em dados coletados, sugerir estratégias de marketing, selecionar candidatos para vagas com base em perfis e otimizar a experiência de usuários em sites. Para isso, ela se vale de um modelo que distribui as tarefas entre subagentes, cada um com uma especialização.
Outro diferencial é que a IA adapta seu comportamento ao tipo de tarefa que executa. Em vez de utilizar sempre o mesmo modelo de linguagem, ela seleciona o mais adequado conforme a demanda. Isso permite maior rapidez e precisão. Tarefas simples, como identificar capitais de países, são executadas por modelos leves; já fluxos mais robustos, como análise de dados corporativos, envolvem agentes mais sofisticados.
Quem criou o sistema?
A Manus AI é uma criação da startup chinesa Butterfly Effect, fundada por Ji Yichao, cientista da computação com histórico de atuação em empresas de tecnologia e pesquisa em IA. Ji também atua como cientista-chefe da Manus, liderando o desenvolvimento do produto.
A apresentação pública da Manus foi feita por meio de um vídeo institucional divulgado em março, no qual Ji demonstrou algumas funcionalidades do sistema. Na ocasião, ele afirmou que a Manus representa uma ruptura em relação às IAs atuais, justamente por sua capacidade de agir sem depender de comandos manuais ou supervisão constante.
A equipe da Butterfly Effect inclui engenheiros, desenvolvedores e pesquisadores especializados em sistemas multiagente e arquiteturas de IA avançadas. O projeto vinha sendo desenvolvido de forma sigilosa desde 2023 e foi apresentado como o carro-chefe da companhia.
Logo após ganhar os holofotes, a empresa confirmou que o núcleo da IA utiliza o modelo Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic, o papel da empresa passou a ser visto mais como o de integradora de sistemas, responsável por “orquestrar” os agentes de IA já existentes.



