A OpenAI enfrenta obstáculos no desenvolvimento de um dispositivo inteligente com ChatGPT, projetado em parceria com o ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, conhecido por ser o ‘pai do iPhone’. Apesar de avanços no hardware, o software e a infraestrutura necessários ainda não estão prontos para uso comercial. As informações são de uma reportagem do Financial Times.
O projeto começou após a OpenAI adquirir a startup de Ive, a LoveFrom Io, em maio deste ano, por mais de US$ 6 bilhões. Desde então, Sam Altman e Ive trabalham na criação de uma nova família de dispositivos de IA, pensada para melhorar a relação das pessoas com a tecnologia.

O principal aparelho em desenvolvimento é um gadget sem tela, do tamanho da palma da mão. Ele deve interagir com o usuário por meio de microfones, câmeras e alto-falantes, respondendo ao ambiente e usando a tecnologia do ChatGPT para ajudar em tarefas e fornecer informações.
Fontes do Financial Times apontam três grandes desafios para a OpenAI: o primeiro é o poder de processamento. O gadget precisa de grande capacidade computacional para rodar os modelos da OpenAI, o que dificulta sua produção em larga escala.
A OpenAI já enfrenta limitações para manter o ChatGPT funcionando para seus usuários atuais. Adaptar essa infraestrutura para milhões de dispositivos simultâneos exige investimento alto e soluções técnicas complexas.
O segundo desafio é criar a “personalidade” do assistente de IA. A equipe de Ive quer um dispositivo útil e empático, que ofereça companhia sem ser intrusivo ou artificial, diferente de alguns assistentes digitais existentes, como Alexa e Siri. Fontes do projeto afirmam que o objetivo é desenvolver um assistente que funcione como “um amigo que é um computador”, capaz de interagir de forma natural com o usuário.
O terceiro desafio é a interatividade do aparelho. Como o gadget deve captar informações constantemente, é necessário decidir quando ele deve responder ou permanecer em silêncio, evitando interferências desnecessárias.
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Apesar dessas dificuldades, fontes próximas afirmam que os problemas fazem parte do desenvolvimento de um produto complexo. Fabricantes parceiras da Apple, como Luxshare e Goertek, já participam da produção do hardware.
O lançamento do gadget ainda não tem data definida. Estimativas de fontes do Financial Times apontam para o fim de 2026, mas a entrega depende da superação dos desafios técnicos e de software.
Na conferência DevDay da OpenAI, Jony Ive afirmou que sua equipe trabalha com “de 15 a 20 ideias de produtos realmente atraentes”, mas que o foco é essencial. “Estamos tentando ser criteriosos e cuidadosos sobre onde concentrar nossos esforços”, disse.
Ive também disse que espera que os dispositivos “nos tornem mais felizes, realizados e menos ansiosos”, criticando indiretamente o impacto dos smartphones e tablets na vida cotidiana. “Temos a chance de corrigir a relação desconfortável que criamos com a tecnologia”, afirmou.
A parceria entre a OpenAI, líder em IA generativa, e o designer Jony Ive é vista como uma possível ameaça à Apple, que domina o mercado de smartphones, mas ainda busca se firmar na área de IA.




