Alojamento de índios no Rio tinha alagamentos

Operários do governo do Estado iniciaram nesta segunda-feira obras para evitar novos alagamentos no alojamento provisório destinado ao grupo de 12 índios que aceitou deixar na última sexta-feira o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, zona norte do Rio, que estava ocupado desde 2006. Com britadeiras, os funcionários abriram buracos na estrutura para a instalação de canaletas que vão escoar a água da chuva. Poças d''água que se acumulavam na área também foram removidas.

MARCELO GOMES, Agência Estado

25 de março de 2013 | 19h04

No domingo, dia de chegada dos indígenas ao alojamento após passarem o fim de semana num abrigo para moradores de rua no centro da cidade, uma forte chuva cobriu com uma camada de água o piso de concreto do local. O alojamento temporário foi construído numa área dentro do Hospital Curupaiti, em Jacarepaguá, zona oeste da cidade. A unidade já foi uma colônia de portadores de hanseníase e atualmente presta atendimento ambulatorial. Atualmente o terreno também abriga moradores, a maioria parentes de ex-portadores que viviam internados no local.

Os indígenas permanecerão no local até a construção de uma aldeia e de moradias definitivas para o grupo. As novas instalações serão numa localidade conhecida como Rua Preta, também no terreno do Hospital Curupaiti. "A promessa é que a aldeia tenha oca redonda, casa de reza, centro cultural, sala de terapia tradicional e cozinha de comidas típicas, além de residências de alvenaria. Casa de branco dura 50 anos. A do índio, uns dois", disse, em tom de brincadeira, o vice-cacique Garapirá Pataxó, de 35 anos. A nova aldeia já foi batizada de "Muka Mukaw", que significa "unir e reunir", no idioma pataxó.

O alojamento temporário é composto de seis contêineres, sendo três banheiros (com chuveiros elétricos), dois quartos (com três beliches cada) e uma cozinha (com fogão e geladeira). Nesse período de adaptação, a comida está sendo entregue em quentinhas, pelo governo. Já o fornecimento de energia é feito através de geradores. A área foi toda coberta por uma grande lona, e foi isolada do restante do terreno do hospital por tapumes de aço.

Atividades

Era grande o movimento nesta segunda de moradores do Curupaiti, a maioria crianças, nas imediações do alojamento dos índios. Curiosos com os novos vizinhos, os pequenos queriam saber de tudo: desde detalhes das vestimentas, até se os indígenas que lá estavam sabem usar arco e flecha. "Sou tricampeão de arco e flecha nos jogos indígenas. Também tiro peixe do fundo do rio assim", gabava-se o pataxó Kawatã Ohã, de 26 anos, o mais popular dos índios por ser o único que usava trajes típicos, como cocar, cintos feitos de sementes de pau-brasil e dois "trajos" (espécie de palito colocado entre as narinas e também sob o queixo). "A primeira coisa que me perguntaram era se dói colocar os trajos. Eu disse que não".

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