Anistiados 44 camponeses perseguidos pela ditadura no Araguaia

Em um julgamento inédito, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anunciou nesta quinta-feira que indenizará 44 camponeses que sofreram com a repressão da ditadura militar à guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1974.

FERNANDO EXMAN, REUTERS

18 Junho 2009 | 19h24

As reparações financeiras serão de 80.352 reais a 142.941 reais à vista e mais dois salários mínimos por mês até o final da vida dos contemplados.

As anistias fazem parte de um total de 84 desses casos julgados pela comissão. Até o fim do ano, o colegiado pretende analisar outros 198 casos restantes referentes à guerrilha do Araguaia.

"Estamos fazendo aqui um reconhecimento de um pedido de desculpas", disse o ministro da Justiça, Tarso Genro, durante a cerimônia de anúncio dos resultados dos julgamentos na praça central da cidade.

"Isso não é revanchismo, é afirmação da dignidade da pessoa humana", acrescentou.

A Comissão de Anistia concluiu que essas 44 pessoas foram torturadas ou perderam suas terras e lavouras devido às operações militares que tentavam combater os guerrilheiros.

Formada por militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a guerrilha do Araguaia estabeleceu-se na região amazônica localizada ao sul do Pará com o objetivo de conquistar o apoio da população local contra o regime militar e fazer uma revolução. A repressão ao movimento deixou cerca de 70 desaparecidos.

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