Após 3o tri forte, Brasil deve se retrair por crise

O Brasil cresceu mais que o esperado no terceiro trimestre, mas a crise global não deve poupar a economia nos últimos três meses do ano, na avaliação de analistas. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,8 por cento no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores e 6,8 por cento ante igual período do ano passado, superando a previsão do mercado. Além dos investimentos, crédito, massa salarial e ocupação foram determinantes para essa expansão. Mas os impactos da crise financeira mundial começaram a ser sentidos mais fortemente no Brasil apenas em outubro e economistas prevêem inclusive um número negativo para os três últimos meses do ano. "Ainda não há efeitos da crise (no terceiro trimestre), mas uma crise dessa tamanho certamente vai ter impacto", disse a jornalistas Rebeca Palis, gerente da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, admite que o atual trimestre "não será tão bom". Falando apenas da comparação com o mesmo período do ano anterior, Mantega aposta num crescimento entre 3 e 3,5 por cento. As incertezas sobre o tamanho da crise resultam em uma ampla faixa de previsões para os próximos períodos, mas a maioria dos analistas vê queda do PIB no quarto trimestre sobre o terceiro. "Infelizmente, esses números excelentes, muito melhores do que qualquer um podia imaginar, são um retrato do passado... A última projeção que temos é que estamos caminhando em território negativo (no quarto trimestre)", disse Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do Itaú. Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin vai na mesma linha. "O quarto trimestre a gente sabe que não está indo nada bem. É um dado totalmente 'retrovisor' (o PIB do 3o trimestre) e pode fazer com que a queda esperada no quarto trimestre (no dado sazonal) seja ainda pior porque a base de comparação ficou maior." CRESCIMENTO ANUAL Mesmo admitindo uma desaceleração agora, o minisro Guido Mantega descarta totalmente a possibilidade de recessão no ano que vem. "Em 2009 teremos um crescimento menor, mas ainda será positivo. Aqueles que estão falando em recessão estão profundamente enganados", afirmou Mantega a jornalistas nesta terça-feira. Para este ano, o ministro estima crescimento entre 5,0 e 5,5 por cento do PIB. Segundo o IBGE, se a crise abater a economia no quarto trimestre e o crescimento for nulo ante o mesmo período do ano passado a economia brasileira encerraria 2008 com uma expansão do PIB de 4,8 por cento. No ano passado, a economia brasileira cresceu 5,7 por cento de acordo com dados revisados para cima divulgados nesta terça-feira. As projeções de Palis, do IBGE, apontam que para igualar o crescimento econômico do ano passado o Brasil tem de avançar 3,7 por cento no último trimestre desse ano sobre igual período do anterior. "Acho que apesar da crise, o consumo das famílias, que é forte no fim do ano com festas e décimo terceiro pode ajudar a segurar um pouco o PIB", disse uma fonte do IBGE que preferiu não ser identificada. O consumo avançou 7,3 por cento no terceiro trimestre sobre 2007 e igualou a maior taxa da série observada no primeiro trimestre de 1997. Outro destaque do período foi o investimento, com expansão de 19,7 por cento, a maior desde 1996. "No período, houve grande oferta de crédito, massa salarial e ocupação", disse Palis, do IBGE, destacando também o desempenho da construção civil, com expansão recorde. (Reportagem adicional de Daniela Machado e Alexandre Caverni em São Paulo e Isabel Versiani em Brasília)

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