Estadão
Estadão

Após boom de consumo, brasileiros sofrem com eletroeletrônicos quebrados

Com o orçamento apertado, consumidores consideram o momento desfavorável para a compra de bens duráveis

Guilherme Simão, Ítalo Rômany, Jéssica Alves, Luiza Facchina e Rafael Aloi, Especial para O Estado

08 Agosto 2015 | 03h00

Primeiro, a máquina de lavar para de funcionar. A secadora pifa dias depois. Mais uma semana e a geladeira não resfria. O que antes não seria um grande problema é o novo desafio dos consumidores. Quem perdeu os tempos de glória do consumo da linha branca, entre 2009 e 2013 – alavancado pela redução do IPI, extinta neste ano –, vive o pesadelo de ver os aparelhos antiguinhos darem defeito justamente quando o orçamento está apertado e o crédito, mais caro.

A esteticista Ana Maria Souza enfrenta a revolta dos eletrodomésticos: o primeiro problema foi com a máquina de lavar, que quebrou no começo do ano, foi para o conserto e nem isso evitou a compra de uma nova. Para caber no bolso, o valor de R$ 999 foi parcelado em dez vezes sem juros. Na sequência, televisão, geladeira e celular deram defeito, mas nem tudo foi substituído.

Ana Maria faz parte de um universo de 66% das famílias que consideram o momento ruim para aquisição de bens duráveis, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A pesquisa ainda mostra que a intenção de consumo caiu 27,9% em julho na comparação com o mesmo período de 2014.

A economista da CNC, Juliana Serapio, explica que as pessoas tendem a adiar gastos com bens duráveis, como uma geladeira, porque são mais caros e geralmente financiados no cartão. É um reflexo da inflação e do desemprego mais altos nos últimos meses. “As pessoas têm receio de comprometer a renda e esses produtos são prejudicados com crédito caro.” Com uma obra em andamento em casa, Ana Maria quer distância de despesas não planejadas. “A situação é desesperadora. Fica difícil segurar as contas quando tudo quebra”, diz a esteticista. A nova geladeira, por exemplo, foi parcelada em três cartões diferentes.

Se dividir o valor ou buscar uma marca mais básica não for uma opção, o consumidor pode recorrer a uma alternativa mais em conta. O designer Yuri Brito encontrou uma saída criativa quando seu computador quebrou. Em vez de comprar um novo, que custa em média R$ 3 mil, Brito resolveu montar o equipamento e pagar à vista. Gastou R$ 1.800. “O conserto não valia a pena, então comprei as peças em lugares com desconto e paguei um técnico de confiança para montar.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.