Associações da Polícia Civil vão propor o fim da greve em SP

Nova proposta feita pelo governador José Serra causa racha entre grevistas; sindicatos querem manutenção

Marcelo Godoy e Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2008 | 08h43

Os líderes das associações da Polícia Civil vão propor o fim da greve da categoria, que dura 37 dias. A decisão deve provocar novo racha entre os policiais, pois dirigentes dos sindicatos anunciaram na terça-feira, 21, que devem propor a manutenção da paralisação. A divisão atingiu também a agenda dos policiais. As associações se reuniram com o delegado-geral, Maurício Lemos Freire, e com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Vaz de Lima (PSDB). Já os sindicalistas e representantes de centrais sindicais foram a Brasília encontrar o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT).   Veja também: Governo eleva proposta para policiais após confronto em SP Todas as notícias sobre a greve        "Estamos otimistas. As entidades e lideranças de bom senso vão propor o fim da greve", acreditava o secretário da Gestão Pública, Sidney Beraldo. Pela manhã, o governo tinha razões para o otimismo. Os presidentes das associações da Polícia Civil reconheceram avanços no pacote do governo. "Ainda está longe do que queríamos, mas é inegável o avanço. Vamos propor o fim da greve, pois ela serviu como instrumento de pressão contra o Executivo. Como agora a questão passou para o Legislativo, devemos mudar nossa forma de luta e buscar convencer os deputados a aprovar nossas reivindicações", afirmou o presidente da Associação dos Delegados de Polícia, Sérgio Marcos Roque.   Mas, à tarde, os líderes dos sindicatos falaram. "A greve continua. A proposta é insuficiente e a base vem se manifestando pela rejeição", disse João Batista Rebouças, do Sindicato dos Investigadores. Rebouças esteve com Genro, que reconheceu a legitimidade do movimento dos policiais, mas disse que não ia interferir na crise.   O envio do pacote da polícia à Assembléia havia pego de surpresa a maioria dos grevistas. Uma das principais reivindicações dos policiais era de que o governo "colocasse no papel suas propostas, pois só assim seria possível negociar". Além da reestruturação das carreiras policiais, com 16 mil promoções, e da volta da aposentadoria especial, o governo ampliou a proposta de reajuste. Além de 6,5% em 2009, propôs mais 6,5% em 2010 e a possibilidade de, ao longo de cinco anos, conceder até 50% do adicional de localidade a quem se aposenta.   Para as associações, o fim da greve pode ocorrer nesta quarta ou na quinta-feira, 23, quando os dirigentes da Polícia Civil serão recebidos na Assembléia pelo presidente da Casa. "Vamos fazer todo o esforço para ouvir as sugestões das entidades e aprovar o mais rápido possível os projetos", disse o deputado Samuel Moreira, líder do PSDB na Assembléia.   A possibilidade de que uma manifestação dos grevistas se transforme em novo confronto com a Polícia Militar atormenta o governo. Os ânimos na Polícia Civil estão exaltados desde que a marcha dos grevistas ao Palácio dos Bandeirantes foi debelada pela Tropa de Choque, em confronto que deixou 32 feridos. Os sindicatos querem promover um novo protesto na quinta na frente da Assembléia.

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