Autoridades russas não podem regredir na democracia, diz Gorbachev

O último líder soviético Mikhail Gorbachev disse neste sábado que a Rússia vai enfrentar protestos a menos que a sociedade se torne mais democrática, apesar do sucesso do presidente Vladimir Putin em reprimir os dissidentes.

Reuters

30 de março de 2013 | 16h57

Gorbachev, cujas reformas perestroika (reestruturação) e glasnot (abertura) nos anos 1980 falharam em reverter o colapso da União Soviética, tem simpatizado com os protestos, sobretudo das classes médias urbanas em ascensão, contra as alegações de fraude na contagem eleitoral e a corrupção política.

"As autoridades conseguiram reprimir os protestos por um tempo, mas os problemas não desapareceram. Se tudo permanecer como antes, os protestos vão se intensificar", disse Gorbachev em uma aula, conforme citação feita pela agência de notícias RIA.

"Isso quer dizer que encaramos uma nova tentativa pela sociedade russa de mover para uma real democracia que será historicamente significativa ."

O alerta de Gorbachev, ativo na vida pública aos 82 anos e coeditor do jornal independente Novaya Gazeta, veio no momento em que Putin, que há um ano ganhou um terceiro mandato presidencial, busca consolidar seu poder.

Em vez de se engajar em diálogos com oponentes, Putin tem procurado marginalizá-los, enquanto sobe o tom da retórica na política internacional para criar a atmosfera de uma nação sob ataque.

(Por Maya Dyakina)

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