Berlusconi: 'não vou concorrer em 2013, Monti pode ficar'

O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi disse nesta terça-feira que pode não se candidatar às próximas eleições e sugeriu que o premiê tecnocrata Mario Monti poderia permanecer como chefe de um governo de centro-direita.

JAMES MACKENZIE, Reuters

09 de outubro de 2012 | 13h31

A decisão de Berlusconi, que revela temores de uma vitória da centro-esquerda, indica que ele perdeu esperança de ganhar apoio suficiente para montar uma campanha de credibilidade como líder da centro-direita, que está bem atrás nas pesquisas de intenção de voto.

O anúncio foi recebido com ceticismo por muitos políticos e analistas, que viram como um movimento tático que enfatizou a fraqueza do partido de Berlusconi e não disse muito sobre a probabilidade de Monti permanecer após a eleição.

O próprio Monti tem dito repetidamente que não vai concorrer, mas estaria disposto a ficar no cargo pelo bem do país se houver um impasse político após as eleições, que devem acontecer em abril.

Berlusconi afirmou que queria unir uma ampla coligação capaz de derrotar a centro-esquerda, e estava preparado para desistir de sua candidatura para obter o apoio de pequenos partidos centristas que têm estado relutantes em juntar forças com o partido Povo da Liberdade (PDL), de Berlusconi.

"Silvio Berlusconi sempre disse e continua a dizer que está pronto para ficar de fora para permitir que todos os moderados se unam em uma única força que possa enfrentar a esquerda juntos", disse ele à sua própria rede de televisão Canale 5.

"Eu sempre quis o bem do país que eu amo, eu nunca tive qualquer ambição pessoal", acrescentou, recusando-se a identificar um potencial líder caso ele realmente desistisse, embora tenha dito que Monti poderia liderar um governo de centro-direita.

APOIO EMPRESARIAL

Monti conta com forte apoio dos empresários da Itália e possui amplo apoio internacional por seus esforços para conter a elevada dívida pública do país e reformar a economia estagnada.

Mas ainda não está claro até que ponto o anúncio de Berlusconi aumenta as chances de um segundo mandato de Monti, com as pesquisas de opinião mostrando pouco apetite do público pela permanência do ex-comissário europeu.

Os políticos de centro-esquerda apoiam Monti no Parlamento, mas consistentemente afirmam que o próximo governo deveria ser formado por uma coalizão eleita democraticamente. Eles também demonstram forte objeção a uma repetição do governo tecnocrata de Monti.

Berlusconi, forçado a renunciar no ano passado em meio a uma grande crise financeira, indicou diversas vezes que planeja retornar à linha de frente da política, mas nunca confirmou claramente suas intenções.

O PDL passa por fortes divisões entre os defensores de Berlusconi e outros, incluindo partidários centristas do governo de Monti que querem criar uma força europeia convencional de centro-direita.

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