Brasil deve investir na pré-escola, diz Nobel

A educação no Brasil evoluiu muito nos últimos 30 anos, mas ainda há muito a ser feito, segundo o economista James Heckman, vencedor do prêmio Nobel de Economia 2000. Em visita ao País, Heckman ressaltou que, mais do que investir no ensino regular e superior, é preciso olhar para as crianças em idade pré-escolar.

DANIELA AMORIM, Agência Estado

07 Maio 2012 | 16h29

"Tem muito trabalho a ser feito. E há muitas oportunidades em relação a crianças em idade pré-escolar, porque a base começa antes da pré-escola. As habilidades começam a ser desenvolvidas antes mesmo de a escola começar", afirmou Heckman, após um seminário na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV), no Rio de Janeiro.

O economista citou estudos que demonstram que os investimentos na educação de crianças de 0 a 3 anos têm uma taxa de retorno muito maior do que os investimentos feitos na educação tanto durante a escola quanto na faculdade. "Deve-se gastar muito mais dinheiro nos anos iniciais das crianças. O Brasil está fazendo isso quando pensa em estratégias de intermediação, observando os ambientes e necessidades dessas crianças", avaliou Heckman.

No entanto, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, presente ao evento, reconhece que o cenário está muito distante do ideal no País, especialmente em relação às crianças em situação de extrema pobreza.

Em 2009, apenas 23,6% das crianças em idade pré-escolar estavam matriculadas em creches no País. Mas essa fatia diminui muito quando consideradas apenas as crianças em estado de extrema pobreza: somente 3,6% delas estão matriculadas em creches.

"Precisamos enfrentar essa questão", disse Mercadante. "Precisamos de políticas específicas para crianças abaixo da linha da pobreza. Na segunda-feira, elas voltam com fome e comem muito mais do que no resto da semana. E mesmo a gente fornecendo fraldas, elas voltam assadas. Sabemos o nome delas, onde vivem, quais são as famílias em cada bairro. Estamos buscando políticas para dar uma resposta, em que as Prefeituras se responsabilizem e deem conta dessa demanda".

Um dos entraves apontados por Mercadante é a dificuldade de construir novos estabelecimentos. Segundo o ministro, as obras contratadas estão demorando até dois anos para serem entregues, devido ao aquecimento do setor da construção civil.

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