Brasileira milita em campanha londrina por mais segurança para ciclistas

Ativistas defendem que Londres copie medidas adotadas pela Holanda, considerada referência na convivência entre bicicletas, pedestres e veículos motorizados.

Paula Adamo Idoeta, BBC

03 Maio 2012 | 10h10

A mineira Virginia Perrotti Machado, 29 anos, esteve entre as milhares de manifestantes que foram às ruas de Londres no último dia 28, para pressionar o futuro prefeito da cidade a adotar mais medidas para garantir a segurança de ciclistas.

"Aqui em Londres, tenho uma bicicleta desde que cheguei (há sete anos), ainda que me sinta insegura nas grandes vias e cruzamentos", diz ela à BBC Brasil.

O uso de bicicletas na cidade virou tema de debate inédito na campanha eleitoral pela prefeitura, que culmina com as eleições que estão sendo realizadas nesta quinta-feira.

Os ciclistas têm crescido em número fortalecido o seu lobby. Segundo o grupo ativista London Cycling Campaign, cerca de 540 mil viagens diárias são feitas sobre duas rodas na cidade - número significativo em uma metrópole de 8 milhões de habitantes.

'Go Dutch'

O grupo lançou a campanha "Go Dutch" ("Faça como os holandeses", em tradução livre), alegando que, em Amsterdã, entre 25% e 37% das jornadas diárias são feitas em bicicletas, contra 2,5% em Londres.

Os defensores do modelo holandês dizem que este inclui ciclovias separadas das pistas rápidas de rodovias, sinalização específica em cruzamentos e redução no limite de velocidade em vias menores.

"Não queremos o que acontece em São Paulo, onde vias (rápidas) de seis pistas inviabilizam o ciclismo", declarou à BBC Brasil o ativista Tom Bogdanowicz, do London Cycling Campaign. "Queremos que o futuro prefeito se comprometa com uma Londres mais segura e habitável para ciclistas."

"No Brasil não há respeito ao ciclista. São considerados de classe inferior, porque o carro é sinônimo de status. A sensação é de risco de vida a cada momento (em que se anda de bicicleta)", opinou Virginia, que também passou a militar pelo London Cycling e a coletar a assinatura de londrinos para a campanha "Go Dutch".

Dificuldades

Por trás do debate nas grandes cidades existe uma dificuldade inerente em inserir as bicicletas na equação do trânsito de uma forma pacífica, opina o engenheiro de trânsito Ken Huddart, que nos anos 1980 comandou um projeto ciclístico oficial em Londres.

Segundo ele, até mesmo na Holanda andar de bicicleta ainda é mais perigoso do que andar de carro.

"A exposição (das bicicletas) é constante. Em Londres, elas trafegam ao lado dos ônibus (à esquerda) porque é o único lugar onde podem ser colocadas", diz ele. "O esforço é para minimizar o risco, deslocá-las para vias menores e mais lentas, mas isso só funciona para quem está a passeio. Quem (está se deslocando ao trabalho) quer as rotas mais rápidas e curtas." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.