Bulgária culpa homem-bomba por atentado em ônibus de aeroporto

Um militante suicida foi o responsável pelo atentado a bomba que matou turistas israelenses em um ônibus na Bulgária, disse o ministério búlgaro do Interior nesta quinta-feira, enquanto Israel levantou suspeitas contra o Irã e grupo islâmico Hezbollah.

ANGEL KRASIMIROV, Reuters

19 de julho de 2012 | 09h33

O atentado ocorreu na quarta-feira no aeroporto de Burgas, muito frequentado por turistas que visitam a costa do mar Negro.

Câmeras de segurança mostraram que o homem-bomba tinha aparência semelhante aos turistas que chegavam ao aeroporto, segundo o ministro do Interior, Tsvetan Tsvetanov.

Antes de realizar a explosão, o homem passou cerca de uma hora circulando entre os ônibus que levariam os turistas israelenses até um balneário próximo a Burgas.

"Concluímos que havia uma pessoa que era um homem-bomba suicida neste ataque. Essa pessoa tinha uma carteira de motorista falsificada dos Estados Unidos, do Estado de Michigan", disse Tsvetanov a jornalistas no aeroporto.

"Ele parecia como os demais - uma pessoa normal, de bermuda e mochila", disse ele.

O homem supostamente tinha 36 anos e havia chegado à Bulgária entre quatro e sete dias antes do atentado.

Forças especiais conseguiram obter amostras de DNA dos dedos do homem-bomba, e agora estão consultando bancos de dados para tentar identificá-lo, segundo Tsvetanov. Ele disse que as autoridades não tinham indicações de que um atentado poderia acontecer.

Segundo a chancelaria búlgara, o atentado matou sete pessoas, incluindo o motorista búlgaro do ônibus e o homem-bomba. Israel confirmou a morte de cinco cidadãos seus.

Eles haviam chegado à Bulgária em um voo fretado e estavam acomodados no ônibus, no estacionamento do aeroporto, quando o veículo explodiu. Partes de corpos e peças metálicas retorcidas se espalharam pelo local, e uma coluna de fumaça se ergueu junto ao aeroporto.

Na quinta-feira, o aeroporto de Burgas --cidade de 200 mil habitantes no centro de uma fileira de balneários-- continuava fechado, e a polícia impedia a aproximação das pessoas. Cerca de cem turistas esperavam seus voos, e foram avisados de que possivelmente só decolariam depois da meia-noite (hora local).

Ehud Barak, ministro israelense da Defesa, disse que "os executores imediatos (do atentado) são gente do Hezbollah, que é claro que tem constante patrocínio iraniano". O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou: "Israel irá reagir poderosamente contra o terror iraniano".

O Irã negou as acusações israelenses. "As afirmações infundadas de vários estadistas do regime sionista, em conexão com as acusações contra o Irã sobre sua possível participação no incidente com a explosão do ônibus com turistas israelenses em Burgas, é um método familiar do regime sionista, com um objetivo político, e é um sinal da fraqueza... dos acusadores", afirmou a missão diplomática da República Islâmica em Sofia, em um comunicado.

(Reportagem adicional de Tsvetelia Tsolova em Sofia, Maayan Lubell em Jerusalém e Madeline Chambers em Berlin)

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