'Cabe à Igreja acolher os jovens de todo o mundo'

Ele fala sobre preparação para a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, no Rio, e a 50ª Assembleia-Geral, que começa dia 18

Entrevista com

JOSÉ MARIA MAYRINK, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2012 | 03h07

Além do tema central A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja, com o qual o episcopado vai retomar a discussão feita em Brasília, em 2010, sobre Bíblia e evangelização, a pauta da 50.ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) inclui a comemoração do cinquentenário do Concílio Vaticano II e debates sobre temas sociais, políticos e morais de interesse dos brasileiros. Serão discutidas as consequências da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a liberação do aborto em casos de anencefalia, se algum bispo pedir a inclusão do tema.

Segundo o secretário-geral da entidade, d. Leonardo Ulrich Steiner, os bispos tratarão também da preparação da Jornada Mundial da Juventude, prevista para julho de 2013 no Rio de Janeiro. A 50.ª assembleia reunirá 335 participantes, entre os dias 18 e 26, em Aparecida (SP).

Qual é a importância dessas assembleias para a Igreja?

O cinquentenário das assembleias tem significado particular não somente para a caminhada do episcopado, mas para toda a Igreja no Brasil. A colegialidade fraterna entre os sucessores dos apóstolos e a cooperação nas responsabilidades pastorais formam a linha-mestra das assembleias. Elas foram decisivas para que o Concílio e as conferências latino-americanas orientassem a ação evangelizadora da Igreja no Brasil.

Os bispos discutem questões mais amplas. Qual é sua contribuição para a sociedade?

Os bispos chegam para cada um desses encontros trazendo no coração a vida concreta do seu povo. Assim, estão sempre presentes, nas reflexões, as tristezas e as alegrias vividas neste País. As infidelidades no exercício da política para o bem comum, a desigualdade social e econômica, as agressões à integridade da vida, as interrogações de natureza moral em relação aos fenômenos da modernidade e tantos outros aspectos da vida do povo têm seu lugar garantido na meditação e no compromisso dos bispos.

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se realizará no próximo ano no Rio, será tema da assembleia em Aparecida?

A JMJ é uma tarefa que o Santo Padre confiou à Igreja no Brasil. Cabe à Igreja, portanto, acolher e celebrar a vida em Cristo na companhia do Santo Padre e dos jovens representantes de várias partes do mundo. A Arquidiocese do Rio de Janeiro e a CNBB estão envidando todos os esforços para que a JMJ seja um grande momento de evangelização. A CNBB, por meio da Comissão Especial para a Jornada, tem animado esse tempo de preparação e teremos, no último dia da assembleia, um tempo para a partilha sobre esse caminho que nos conduzirá ao encontro do Rio no fim de julho de 2013. A Arquidiocese do Rio, naquele momento, apresentará o caminho percorrido até então.

Como serão lembrados os 50 anos do Concílio Vaticano 2º?

Há tempos nos preparamos para o jubileu do Concílio. A CNBB designou uma comissão especial para a elaboração do programa de celebrações. Esse grupo tem informado o episcopado sobre providências já tomadas e outras que deverão ser realizadas até 2015. Na assembleia deste ano, essa comissão vai atualizar esse quadro de propostas e, concretamente, no dia 23, realizaremos uma sessão solene para homenagear o início dos trabalhos conciliares.

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