Carne de primeira bate recorde

Na sexta-feira, indicador do Cepea/Esalq-USP atingiu R$ 6,95/quilo, preço mais elevado desde janeiro de 2001

Alexandre Inacio, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2008 | 02h51

O preço da carne bovina no atacado atingiu o nível mais elevado da série do indicador de preços calculado desde janeiro de 2001 pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O indicador, que reflete os preços da carne de primeira, atingiu na sexta-feira passada R$ 6,95/quilo. Apenas no mês de novembro, a carne bovina no atacado acumula valorização superior a 7%. O motivo para a valorização dos preços é a baixa disponibilidade de animais para abate, provocada pelo alto índice de descarte de matrizes nos últimos dois anos. Para se ajustar à nova realidade de baixa oferta de animais, muitos frigoríficos interromperam os abates em algumas unidades e deram férias coletivas para outras. A estratégia da indústria de reduzir a demanda deu resultados, pois a cotação do boi gordo, que chegou a superar R$ 94 em junho, recuou para os atuais R$ 90. Contudo, o menor volume de abate resultou na redução da oferta de carne bovina para o atacado, fazendo com que os preços registrassem a valorização verificada nos últimos meses. "Temos uma oferta pequena no atacado e uma margem de lucro do varejo muito elevada, o que justifica os atuais níveis de preço", diz o diretor da consultoria AgraFNP, José Vicente Ferraz. A opinião é compartilhada pelo analista da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa. Para ele, diante da crise financeira internacional, os preços da carne deveriam ter recuado, mas com a oferta enxuta no mercado e o maior interesse da Europa, exatamente na carne de primeira do Brasil, criam um cenário de sustentação dos preços.

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