Celpa propõe deságio de até 40% sobre dívidas

A Celpa, distribuidora de energia paraense em recuperação judicial, propõe o aporte de 650 milhões de reais por parte de investidores em seu plano de reestruturação, além de uma repactuação das dívidas com deságios de até 40 por cento nos valores a serem pagos aos credores financeiros.

ANNA FLÁVIA ROCHAS, REUTERS

07 Maio 2012 | 12h08

O plano de recuperação judicial da companhia foi entregue à Justiça na última sexta-feira e divulgado nesta segunda-feira na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Celpa, controlada pelo Grupo Rede Energia, também propõe a possível alienação ou operação de qualquer ativo da empresa, sem necessidade prévia de autorização judicial, e a liberação de garantias prestadas pelos acionistas e administradores da Celpa, para garantir o pagamento aos credores.

Para captar os 650 milhões de reais, a Celpa pretende fazer uma emissão de debêntures conversíveis em ações que seriam adquiridas por investidores, com vencimento em 2027.

"O detentor das debêntures poderá converter o seu valor principal em ações a qualquer momento a partir da data da sua emissão", informou a companhia.

A Celpa disse, contudo, que o investidor poderá negociar outra modalidade para realizar o aporte de recursos, desde que respeitados o valor mínimo proposto.

Como premissas do plano, a empresa considera ainda a aplicação do reajuste de tarifas de energia de 10,33 por cento, previsto para ocorrer em agosto de 2012 mas que tem que ser autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e a captação de linhas de crédito no valor mínimo de 200 milhões de reais até 2013.

O plano também prevê uma reserva de caixa mínimo a fim de atingir pelo menos 150 milhões de reais a partir de 2015, reajustado pelo IGP-M nos anos seguintes.

Para o pagamento aos credores financeiros em reais, a distribuidora de energia paraense propõe o parcelamento dos créditos em 120 meses, a partir de janeiro de 2017, e um deságio de 40 por cento sobre o valor total dos créditos no caso dos credores em moeda brasileira sem vinculação de recebíveis.

Já para os credores financeiros com créditos em reais e com vinculação em recebíveis, a companhia pede um deságio de 35 por cento sobre as dívidas.

Os valores das parcelas mensais são de 4,17 milhões de reais de janeiro de 2017 a dezembro de 2021 e de 8,3 milhões de reais de janeiro de 2022 até dezembro de 2026.

A empresa propõe também a aplicação da taxa de juros, incidentes a partir de agosto de 2012, correspondentes a 6 por cento ao ano ou Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de acordo com a opção que cada credor optar.

Para os credores com crédito em dólar, o deságio proposto é de 40 por cento sobre o valor do crédito e taxa de juros a partir de agosto de 2012 de 3 por cento ao ano. Os valores seriam pagos em 132 parcelas mensais, também a partir de janeiro de 2017.

Nesse caso, o valor da parcela mensal de janeiro de 2017 a novembro de 2027 é de 426,9 mil dólares. Já a parcela de dezembro de 2027 é de 175,5 milhões de dólares.

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