China incentivará importados de maior valor do Brasil

A China se comprometeu a incentivar o aumento das importações de produtos de maior valor agregado do Brasil, segundo comunicado conjunto dos dois países divulgado nesta terça-feira, durante visita da presidente Dilma Rousseff a Pequim.

REUTERS

12 de abril de 2011 | 13h06

A diversificação das exportações à China é uma das principais reivindicações do setor produtivo nacional, que reclama do domínio de produtos básicos, como commodities, na pauta de vendas ao país asiático.

"A parte chinesa manifestou disposição de incentivar suas empresas a ampliar a importação de produtos de maior valor agregado do Brasil", afirmou comunicado divulgado pelo Ministério de Relações Exteriores.

No ano passado, 83 por cento das exportações brasileiras à China foram de produtos básicos, enquanto 98 por cento das importações foram de produtos manufaturados.

Já o Brasil reafirmou o compromisso de tratar com rapidez a questão do reconhecimento da China como economia de mercado, segundo o comunicado conjunto.

Em 2004, o governo brasileiro declarou reconhecer a China mas não formalizou a decisão. A posição é contestada por empresários brasileiros, que acusam exportadores chineses de práticas desleais, como dumping.

Outra questão sensível aos exportadores brasileiros, o valor baixo do iuan, não foi mencionada no comunicado.

Os países também reiteraram o compromisso com as negociações para a conclusão da Rodada de Doha e em ampliar os investimentos recíprocos em diversas áreas, como tecnologia, energia, mineração, logística e setor automotivo.

ONU E DIREITOS HUMANOS

O objetivo do Brasil de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização da Organização das Nações Unidas (ONU) não recebeu apoio formal dos chineses.

Apesar de defender, junto com o Brasil, a necessidade de reforma na entidade, o governo chinês disse apenas que "compreende e apoia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas".

Em relação à questão dos direitos humanos, tema sensível aos chineses, os países fortalecerão consultas bilaterais e promoverão o intercâmbio de experiências e boas práticas".

(Por Hugo Bachega)

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