Chuva prejudicou manga

Variedade palmer, a mais vendida nesta época, teve perdas de 70% na região de Jaboticabal (SP)

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2009 | 04h38

Com o pico da safra em dezembro, a manga paulista é presença certa nas mesas no ano-novo. Este ano, porém, por causa da chuva atípica no inverno, as perdas da variedade palmer chegaram a 70% na região de Jaboticabal (SP), a maior produtora da fruta no Estado.

E a menor oferta do produto já se reflete nos preços para o consumidor. "Em Monte Alto, maior município produtor de SP, a safra foi muito comprometida pela chuva", diz o engenheiro agrônomo João Yoshio Murakami, da Casa da Agricultura de Vista Alegre do Alto (SP).

Murakami diz que a manga tommy, que é mais resistente do que a palmer, pode ajudar a suprir o mercado nas festas de fim de ano, mas, mesmo assim, o consumidor vai pagar mais caro por ela. "A tommy tem a florada mais precoce e resistiu melhor ao excesso de chuvas. Mas, para o consumidor, a palmer é mais saborosa e tem o aspecto melhor." Segundo o agrônomo, o quilo da manga palmer está cotado em R$ 0,70 a R$ 0,75, quase o dobro do preço do ano passado.

O preço duas vezes maior em relação ao ano passado não compensa as perdas de 85% da safra este ano para o produtor Sérgio Antoninho Colombo, de Ibirá (SP), na região de São José do Rio Preto. Colombo, que possui 20 hectares de manga, conta que a chuva coincidiu justamente com o período de florada e as flores não resistiram ao excesso de umidade. "Na região as perdas foram de 80%, em média."

O que se salvou da safra - cerca de 150 mil quilos da variedade palmer - está com preços em alta. Conforme o produtor, o quilo da manga está entre R$ 0,80 e R$ 1,10, ante R$ 0,50 e R$ 0,60/quilo em anos anteriores. "A oferta de manga palmer vai ser bem reduzida e a procura já é grande, tanto que os preços já subiram", diz Colombo, que acredita que, em fevereiro/março o quilo da fruta pode chegar a custar de R$ 1,20 a R$ 1,40. "Mas eu preferiria vender toda a safra a R$ 0,50 o quilo a perder o que perdi."

Em Taquaritinga (SP), o produtor Ademar Yoshio Ogata, que possui 150 hectares, acrescenta que, além do preço maior este ano, a qualidade da fruta está menor. "O excesso de umidade favorece o surgimento de doenças; o que se salvou está com qualidade inferior", afirma. Além disso, Ogata atribui a quebra de produção ao fato de a água da chuva "lavar" os grãos de pólen e não haver fecundação. O produtor teve perdas de 70% nesta safra e espera produzir entre 400 mil e 500 mil quilos da fruta. "Embora o preço esteja maior - R$ 0,60/R$ 0,70 o quilo; no ano passado, o quilo estava cotado a metade do preço -, a quebra foi bastante significativa e o custo de produção também aumentou, por causa do controle fitossanitário."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.