Cientistas declaram 'extinto' o golfinho chinês de água doce

Atividade humana é a causa do desaparecimento do animal, cuja existência começou há 20 milhões de anos

Efe,

08 de agosto de 2007 | 09h08

Depois de mais de 20 milhões de existência, o golfinho chinês de água doce, uma espécie conhecida como "baiji", foi declarada oficialmente extinta nesta quarta-feira, 8. A causa de seu desaparecimento é a atividade humana, afirmaram cientistas da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL). Segundo os membros da organização, este golfinho é o primeiro cetáceo a desaparecer da Terra como resultado direto da influência do homem, devido à pesca desregulada. Os especialistas, que publicaram o estudo nesta quarta na Royal Society Biology Letters, asseguram que não conseguiram localizar nenhum golfinho no rio Yang-tsé - seu habitat natural - durante uma intensa pesquisa que durou seis semanas. Na década de 50, a população deste golfinho - espécie única do Yang-tsé - era de milhares, mas diminuiu com os anos, enquanto a China se modernizava e começava a utilizar o rio para a pesca, o transporte e a geração de eletricidade, acrescentam os cientistas. Um dos autores do estudo e integrante do ZSL, Sam Turvey, classificou a extinção de "trágica". "O golfinho do rio Yang-tsé era um mamífero incrível que se separou de outras espécies há mais de 20 milhões de anos", disse. "A extinção representa o desaparecimento de um galho completo da árvore da evolução da vida, e é preciso ressaltar que temos que assumir a responsabilidade sobre nossa tarefa como guardiães do planeta", acrescentou. Evolução A espécie, conhecida cientificamente como Lipotes vexillifer, era a única da família Lipotidae, que aparentemente se separou de outros mamíferos marítimos, como baleias, golfinhos e botos, entre 20 e 40 milhões de anos atrás. Os "baijis" têm um bico longo e estreito e vivem em grupos de três ou quatro. A equipe realizou um estudo visual e acústico durante seis semanas no final de 2006. Apesar de existir a chance de algum golfinho não ter sido encontrado durante a pesquisa, "a impossibilidade de detectar um 'baiji' durante a pesquisa indica que as possibilidades de encontrá-los e levá-los (a uma reserva) praticamente desapareceram", ressaltam os especialistas. No entanto, o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF, na sigla em inglês) considera que a análise não é definitiva. "O WWF não acredita que o golfinho 'baiji' possa ser declarado extinto ou 'extinto de fato' porque a pesquisa foi realizada em um curto período de tempo em uma área limitada do rio", afirmou um porta-voz da organização.

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