Comando da Dinamarca colaborou para fiasco

Presidência da COP apresentou textos prontos, sem aval de países em desenvolvimento

, O Estadao de S.Paulo

20 Dezembro 2009 | 00h00

A culpa pelo fracasso pode não ser da cidade de Copenhague, mas a avaliação geral é de que a presidência dinamarquesa da COP-15 ajudou a afundar a perspectiva de um tratado ambicioso para evitar o aquecimento.

Antes mesmo de a Conferência do Clima começar, os dinamarqueses já arrumaram confusão - na semana que precedeu o encontro, eles apresentaram a somente alguns países um documento elaborado sem o consenso de todos. Dizia-se que eles colocaram um texto pronto na mesa com medo de que não se firmasse um acordo. A principal crítica ao documento era que ele estaria pendendo demais para o lado dos países industrializados.

Conforme os dias foram passando, a impressão de que a Dinamarca estava a serviço dos países ricos - principalmente dos Estados Unidos - foi ficando mais forte. "A presidência dinamarquesa não teve nenhuma sensibilidade com os países mais vulneráveis", disse um diplomata sul-americano.

Outro problema era o desentendimento dentro da própria presidência dinamarquesa. A presidente da COP no início da conferência, Connie Hedegaard, sempre foi contra as tentativas de impor um texto não negociado, chamado por delegados de países mais pobres de acordo que "cai do céu" ou que "vem de cima para baixo". Mas ela perdia constantemente a briga para o primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Rasmussen, que acabou substituindo Connie quando a reunião se tornou de alto nível - com a chegada dos ministros e, depois, dos chefes de Estado e de governo.

Apesar de a Conferência do Clima da ONU ter dito que a mudança era uma questão de protocolo, porque seria mais adequado os líderes negociarem com um primeiro-ministro e não com uma ex-ministra, a demissão de Connie foi vista como um indicativo de que Rasmussen ganhou a disputa.

Por sinal, na ultima plenária Connie não estava presente. Questionado sobre isso, o secretario executivo da Convenção do Clima da ONU, Yvo de Boer, disse que ela trabalhou duro para realizar a conferência e que esperava que ela estivesse descansando em seu sofá.

Durante a reunião, Rasmussen voltou a tentar emplacar seus textos unilaterais, sem sucesso. Em meados de novembro ele também tentou ajudar a enterrar prematuramente Copenhague, quando esteve com Barack Obama e chefes de Estado asiáticos em reunião da Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) e se falou que esses países concordavam em adiar o acordo do clima. Após protestos, Estados Unidos e China mudaram o discurso e passaram a dizer que queriam que "ações imediatas" fossem definidas em Copenhague.

Até a organização da conferência recebeu críticas. Para tudo era preciso enfrentar enormes filas: credenciamento, entrar no prédio Bella Center, passar pela inspeção no raio X, pegar comida. Até Boer, foi visto na fila.

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