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Comício presidencial na Nigéria termina em tumulto e morte

Várias pessoas morreram pisoteadas no sábado, durante um comício da campanha eleitoral do presidente nigeriano Goodluck Jonathan, na cidade de Port Harcourt.

AUSTIN E SAMUEL TIFE, REUTERS

12 de fevereiro de 2011 | 16h58

Milhares de simpatizantes do partido do governo reuniram-se num estádio para ouvir Jonathan discursar e centenas se reuniram em torno dos portões. Houve um tumulto depois que um policial deu tiros para o ar para tentar dispersar a aglomeração, enquanto as pessoas se retiravam, disseram testemunhas.

"Posso ver os corpos de três mulheres", disse à Reuters uma das testemunhas, Tonye Ben, quando ele tentava escapar do caos. Outras testemunhas disseram que dez pessoas morreram.

Membros da força de segurança colocaram feridos em camionetes para transportá-los ao hospital. Sapatos e peças de roupas perdidos se espalharam pelo chão, onde as pessoas tiveram dificuldade de se desvencilhar da confusão.

Jonathan disse que ficou chocado com a perda de vidas e ordenou uma investigação imediata.

"Estou triste e muito abatido por este incidente. É triste, infeliz e lamentável. Vou me juntar ao luto dos enlutados hoje a noite", disse ele em um comunicado.

A porta-voz da polícia Rita Inoma-Abbey confirmou que várias pessoas tinham sido recolhidas e levadas para o hospital, mas não podia dar o número de mortos.

"Havia uma multidão enorme, o lugar estava completamente lotado", disse Ken Saro-Wiwa, o assistente especial de Jonathan para assuntos internacionais, à Reuters.

"À medida que os comboios saíam, mais pessoas tentavam entrar e houve um tumulto quando os portões foram abertos... é um triste fim para o que havia sido um ótimo dia", disse ele.

O comício do PDP, Partido Popular Democrata, de Jonathan, em Port Harcourt aconteceu no fim de uma turnê de uma semana pelas seis principais regiões da nação mais populosa da África, antes das eleições presidenciais, parlamentares e de governadores, em abril.

Jonathan é o primeiro chefe de Estado do delta do Níger e Port Harcourt é sua principal cidade. Ele é considerado o favorito na corrida presidencial.

Comícios políticos na Nigéria costumam atrair multidões, além dos partidários. Muitos são atraídos pela promessa de presentes como camisetas e bonés de beisebol, deixando a polícia e as forças de segurança se esforçando para manter a ordem.

IDOSOS DECAPTADOS

Em outro episódio de violência no país, um casal de idosos foi decapitado e seus dois netos espancados até a morte em um ataque a uma vila da região central da Nigéria. A polícia afirmou que considera as mortes como parte de um ritual de matança.

O ataque ocorrido na vila de Shekan, próxima da cidade de Jos, aconteceu em uma região onde mais de 200 pessoas foram mortas em uma onda de violência sectária entre cristãos e muçulmanos que ocorre desde dezembro. Apesar disso, a polícia afirmou que as mortes deste sábado não têm relação com o conflito.

"Estes criminosos podem ser chamados de assassinos de rituais porque eles cortaram a cabeça da mulher e foram embora com ela. Apenas encontramos o corpo sem a cabeça", disse o comissário Abdulrahman Akano.

Assassinatos para rituais, apesar de raros, ainda ocorrem em partes do oeste da África e no passado ocorreram durante corridas eleitorais. Os assassinos obtêm partes de corpos e sangue na crença de que os sacrifícios trarão sucesso social e poder político.

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