Congestionamento piora apesar de obras e restrições

Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) revelam que, após um período de melhoria, os congestionamentos do início da noite na cidade de São Paulo voltaram a piorar apesar de restrições, como as impostas à circulação de caminhões, e obras viárias, como a ampliação da Marginal do Tietê. Em setembro, a taxa de lentidão na faixa das 17h às 20h foi 7% superior ao do mesmo mês em 2010: de 86,2 para 92 km.

AE, Agência Estado

10 Outubro 2011 | 11h25

Na avaliação da CET, essa piora é resultado de acidentes e interferências que impactaram "de forma significativa" o trânsito no mês passado. Eles ocorreram nos dois dias em que a lentidão superou os 200 km, em 2 e 30 de setembro. Além disso, segundo a estatal, embora o trânsito tenha aumentado à noite, ao longo do dia as taxas de congestionamento caíram 3% no comparativo, assim como pela manhã.

O horário do auge dos engarrafamentos, às 19h, a piora no trânsito foi mais intensa, de 10%. Em média, nos dias úteis do mês passado, a capital teve 129,7 km de filas no horário, 11,8 km a mais do que em setembro do último ano. Nem mesmo a Avenida dos Bandeirantes, duplamente beneficiada com a abertura do Trecho Sul do Rodoanel e a proibição aos veículos de carga, escapou do aumento na lentidão.

Um mês depois da abertura das novas pistas da Marginal do Tietê e do Trecho Sul do Rodoanel, em abril de 2010, estatísticas da CET mostravam que os congestionamentos haviam caído 28% na cidade.

Obras e educação - Especialistas avaliam que as últimas medidas para diminuir a lentidão na cidade vêm perdendo a eficácia. O consultor de tráfego Flamínio Fichmann, ex-técnico da CET, explica que, com o tempo, é natural os níveis de congestionamento voltarem a níveis anteriores aos das intervenções. "Não significa que os investimentos não deveriam ter sido feitos, e sim que a cidade necessita de melhorias permanentes", diz Fichmann.

E não adianta seguir construindo mais pistas para carros, alerta Horácio Augusto Figueira, mestre em Engenharia de Transportes. "O automóvel, que é predatório, vai tomar conta delas rapidinho. No fundo, todas as obras, seja alargamento da Marginal do Tietê ou construção de pontes estaiadas, foram inúteis. Deveriam ter aplicado mais recursos no transporte público."

Mas nem todos os motoristas topariam trocar o meio de locomoção. "Mesmo se existisse uma linha de ônibus que me pegasse na porta de casa e me deixasse em frente ao escritório, eu não usaria. Prefiro o carro", diz o administrador de empresas Érico Théo Ceraso, de 45 anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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