Dalai-lama diz apoiar os Jogos de Pequim e critica violência

Líder tibetano chega aos Estados Unidos nesta quinta e afirma que viagem não tem finalidade política

REUTERS

10 de abril de 2008 | 08h24

O dalai-lama, líder espiritual tibetano no exílio, disse nesta quinta-feira, 10, que apóia os Jogos Olímpicos de Pequim e se opõe aos protestos violentos que atrapalharam o revezamento da tocha olímpica em várias partes do mundo. Veja também:China prende suspeitos de plano contra os JogosCOI diz que Jogos vão superar 'crise' com tochaOs protestos e a ligação histórica com os Jogos Olímpicos   O trajeto completo do revezamento da tocha pelo mundo  Entenda o conflito entre Tibete e China   "O povo chinês realmente merece sediar a Olimpíada", disse ele a jornalistas no Japão. "(Apesar) dos recentes eventos infelizes no Tibete, minha posição não muda.". Porém, ele considera o uso da violência pela China como uma forma antiquada de suprimir as tensões no Tibete, disse o dalai durante uma rápida parada em seu caminho para os Estados Unidos, onde fará uma viagem de duas semanas que ele afirma que não terá caráter político. O religioso disse aos jornalistas que enviou uma mensagem aos tibetanos em São Francisco, por onde o revezamento da tocha passou na quarta-feira. "Enviei uma mensagem aos tibetanos na região de São Francisco, por favor não façam nenhuma ação violenta", disse, antes de acrescentar: "Ninguém tem o direito de dizer 'cale-se"'. A tocha olímpica foi um imã para protestos em Londres e Paris e a única parada da tocha na América do Norte se tornou um jogo de esconde-esconde, com autoridades de San Francisco mudando a rota de passagem da tocha. A China responsabiliza o dalai-lama e pessoas ligadas a ele pelos protestos liderados por monges no Tibete no mês passado que se tornaram violentos. Ele nega as acusações e afirma que a China deveria mudar sua abordagem em relação ao Tibete. "A hora para o governo chinês aceitar a realidade e tentar achar uma solução condizente com a realidade chegou", disse ele em entrevista coletiva perto de Tóquio. O dalai-lama se exilou na Índia em 1959 após uma revolta frustrada contra o domínio chinês no Tibete. Segundo grupos de tibetanos no exílio, as forças de segurança chinesas teriam matado dezenas de manifestantes durante os protestos contra a dominação chinesa, que começaram no Tibete e se espalharam por várias regiões da China. O governo chinês, no entanto, afirma que o número de mortos nos protestos foi de 19 pessoas.

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