Diretora de escola infantil é indiciada por maus-tratos

Um grupo de orientadoras da Escola Berçário Trenzinho Feliz, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, procurou a polícia para denunciar crimes de maus-tratos que, segundo elas, foram praticados pela diretora enquanto as crianças almoçavam.

Camilla Haddad, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2012 | 23h49

As orientadoras levaram um vídeo com imagens feitas com uma câmera escondida. Conceição Tomaz Cruz, de 52 anos, foi indiciada ontem por maus-tratos. Ela responderá o processo em liberdade. O advogado dela não foi localizado pelo Estado para comentar o assunto.

A delegada Lisandrea Zonzini Salvariego Colabuono, titular da 2.ª Delegacia de Defesa da Mulher, do 16.º Distrito Policial (Vila Clementino), diz que o vídeo não deixa dúvidas. "Ela (Conceição) dá um tapa em uma criança de 2 anos que não queria comer", afirma. A cena foi registrada no refeitório do estabelecimento, que chega a atender bebês no período da tarde. A polícia afirma que as professoras, antes de apresentarem o vídeo, pediram demissão da escola.

"Depois disso, apareceram mais 15 mães aqui na delegacia reclamando da escola, mas só consegui comprovar que três crianças foram agredidas", afirma a delegada. Segundo Lisandrea, inicialmente Conceição negou que tivesse batido em uma das crianças da escola. Mas, após assistir ao vídeo, teria confessado. "Ela não explicou os motivos para fazer aquilo."

A delegada abriu inquérito para apurar o caso, mas pretende provar que houve uma eventual tortura. "Só assim poderemos prender a diretora. Por lei, ela não pode ficar presa por maus-tratos", explica.

Segundo a policial, os maus-tratos não foram os únicos problemas constatados. Ela diz que insetos foram vistos dentro da unidade de ensino. "Eu nunca tive um caso parecido aqui na delegacia", revela. Algumas mães ainda reclamaram de picadas de mosquito no corpo das crianças.

A mensalidade dos alunos da unidade de ensino varia de R$ 500 a R$ 800. O valor foi divulgado pelos pais dos alunos que estiveram ontem no Distrito Policial. A dona de casa Adalgisa de Souza, de 39 anos, é mãe de uma criança de 3 anos e garante que não irá mandar mais o filho para o estabelecimento. "Ele não sofreu agressão física, mas tem tido comportamento estranho. Aponta o dedo para a gente, grita e diz 'cala a boca'. Nós não temos essa conduta em casa", diz. Preocupada, Adalgisa questionou a escola, mas como resposta ouviu que o problema no comportamento do aluno poderia estar relacionado à televisão. "Só que não deixamos ele ver nada na TV depois das18h", explica.

Na Escola Berçário Trenzinho Feliz, na Rua Jureia, as portas ficaram fechadas o dia todo. Apenas um cartaz informava sobre o fechamento da unidade.

Protesto. Pais de alunos da escola prometem realizar um protesto hoje, a partir das 14 horas. Eles irão organizar uma reunião de manhã para tentar impedir que a escola volte a funcionar. A delegada Lisandrea comentou que um advogado da escola chegou a comparecer na delegacia ao longo do dia de ontem, mas teria abandonado o caso.

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