Divergência com ANP impede Chevron de voltar a perfurar

A petroleira norte-americana Chevron e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divergem sobre as causas do acidente que provocou o vazamento no campo de Frade, na bacia de Campos, informou nesta terça-feira a diretora-geral do órgão regulador, Magda Chambriard.

SABRINA LORENZI, REUTERS

13 Março 2012 | 20h26

A agência concluiu as investigações sobre o incidente e manteve a decisão que impede a petroleira de realizar perfurações de poços para encontrar petróleo.

Em sua primeira entrevista a jornalistas desde que assumiu a direção-geral da agência, Magda afirmou que a Chevron ainda não soube identificar as reais causas do vazamento e, por isso, também não foi capaz de provar que está capacitada para mitigar riscos e voltar às operações de perfuração.

A agência, porém, está esperando que a Chevron apresente novas conclusões que levem a uma convergência de dados. "Acredito que a Chevron resolva isso em breve", afirmou a diretora-geral da ANP.

Magda não deu detalhes sobre as conclusões das investigações, justificando que está dando tempo para a petroleira fazer sua defesa.

Mas recentemente, em entrevista exclusiva a Reuters, Magda dissera que o projeto do poço exploratório da Chevron no campo de Frade não mostrava uma falha geológica que pode ter sido determinante para o vazamento de petróleo no local.

"Esse desenho do poço teria funcionado perfeitamente não fosse uma falha que estava ali que não estava no projeto do poço. Por que essa falha não estava ali no desenho? A sísmica mostrava ou não?", disse Magda na ocasião, antes de se tornar diretora-geral da ANP, ao ser indagada se a ANP conhecia as condições de pressão do reservatório que a Chevron perfurou.

O relatório da Polícia Federal sobre o acidente, pelo qual indiciou Chevron, Transocean (dona da sonda que operava no local) e funcionários envolvidos na perfuração, concluiu que o poço onde ocorreu o vazamento não poderia ter sido perfurado.

Mas antes de realizar a perfuração, a petroleira recebeu aval da ANP, como de praxe na indústria petrolífera brasileira.

A nova diretora-geral disse ainda que a Chevron terá amplo espaço para se defender no caso --o principal executivo da companhia disse nesta terça-feira, nos EUA, que espera ter um tratamento "justo" no Brasil.

O vazamento de ao menos 2,4 mil barris de petróleo no campo de Frade, em novembro, resultou na abertura de processos judiciais contra a Chevron, em autuações e pedido de indenização no valor de 20 bilhões de reais.

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Análise sobre a situação da Chevron na América Latina

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NOVA RODADA

Chambriard disse também que ainda não conversou com a presidente Dilma Rousseff sobre a realização de uma nova rodada de licitação de blocos de petróleo.

Ela acrescentou que a agência aguarda a aprovação do governo para seguir com o próximo leilão.

"Eu trabalho com o horizonte do setor de petróleo, mas a presidente Dilma trabalha com o horizonte de todo o Brasil", afirmou, ao ser indagada sobre paralisação das rodadas de petróleo.

Toda a definição sobre blocos foi concluída, sob aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e falta apenas o aval da presidente Dilma para a realização da 11a rodada, que não inclui blocos no pré-sal.

No portfólio apresentado pela agência para ser leiloado, áreas da margem equatorial, que possuem semelhanças com a cobiçada costa africana, são as principais apostas para atrair o interesse de investidores.

A diretora afirmou que a ANP buscará a partir dos leilões uma descentralização da exploração de petróleo no Brasil, com produção hoje concentrada no Sudeste.

GÁS POR TODA PARTE

A ANP concluiu estudos geológicos que revelam a existência de gás natural em várias bacias sedimentares do interior do Brasil, afirmou a diretora-geral da reguladora, Magda Chambriard.

Levantamentos da agência mostram potencial de gás no Acre e em áreas do Mato Grosso que ainda não haviam sido pesquisadas.

Segundo Magda, os mais recentes levantamentos confirmam que praticamente todo o interior do País possui gás natural, já que estudos anteriores já apontavam a ocorrência do combustível nas bacias do Paraná, Maranhão, Parnaíba, Solimões, São Francisco, entre outras.

Os levantamentos da ANP em bacias como Pará-Maranhão, São Francisco, em Minas Gerais, além do Mato Grosso, foram confirmados por empresas como Petrobras e OGX, do empresário Eike Batista, que realizaram descobertas a partir de trabalhos de perfuração.

A ANP continua realizando levantamentos que mostrem o potencial de cada região para incluir as áreas em leilões de petróleo e gás, como tem feito nos últimos anos.

(Edição de Roberto Samora)

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