Eleitores dos EUA decidem acirrada disputa pela Casa Branca

Barack Obama e Mitt Romney se submetem nesta terça-feira ao veredicto das urnas nos EUA, após uma longa e acirrada campanha presidencial que será decidida em alguns poucos Estados onde a corrida está extraordinariamente apertada.

JOHN WHITESIDES, Reuters

06 de novembro de 2012 | 09h17

Pelo menos 120 milhões de norte-americanos devem votar. A decisão --seja a reeleição do democrata Obama ou a substituição dele pelo republicano Romney-- irá ditar os rumos do país nos próximos quatro anos a respeito de gastos públicos, impostos, saúde e questões de política externa, como a ascensão da China e as ambições nucleares do Irã.

As pesquisas nacionais mostram Obama e Romney em empate técnico, mas o presidente tem uma ligeira vantagem em vários Estados estratégicos -- principalmente Ohio.

Pelo sistema eleitoral norte-americano, o presidente é eleito por um Colégio Eleitoral com 538 delegados. Cada Estado envia um número fixo de delegados ao Colégio, proporcional à sua representação no Congresso, e em quase todos os Estados o vencedor local leva todos os delegados, independentemente da margem de votos sobre o segundo colocado. Por isso, a eleição acaba sendo decidida em um punhado de Estados.

Romney, multimilionário ex-executivo de uma firma de investimentos, pode se tornar o primeiro presidente mórmon na história dos EUA, e também um dos norte-americanos mais ricos a chegarem à Casa Branca.

Obama, primeiro presidente negro, tenta se tornar o primeiro democrata reconduzido ao cargo desde Bill Clinton, em 1996.

Alimentada por um volume recorde de publicidade negativa, a disputa entre os dois candidatos esteve focada principalmente na complicada recuperação econômica nacional e no desemprego persistentemente alto. Em alguns momentos, porém, o duelo foi para o lado pessoal.

VOTAÇÃO NA MADRUGADA

As urnas começam a ser fechadas em Indiana e Kentucky às 18h (21h no horário de Brasília), e vai terminando nos demais Estados ao longo das seis horas seguintes.

Os primeiros resultados, como é tradição, já foram apurados em Dixville Notch e Hart's Location, em New Hampshire, logo depois da meia-noite (3h em Brasília).

Obama e Romney empataram em Dixville Notch, com cinco votos. Em Hart's Location, Obama venceu com 23 votos, contra 9 de Romney e 2 do candidato do Partido Libertário, Gary Johnson.

O caráter apertado da disputa gera temores de que se repita a situação de 2000, quando o pleito foi decidido pela Suprema Corte. As duas campanhas montaram equipes jurídicas para lidar com possíveis problemas de votação, impugnações e recontagens.

O equilíbrio de poder no Congresso também estará em jogo. O resultado da votação para a Câmara e parte do Senado deve influenciar o resultado das negociações em torno do "abismo fiscal" relacionado ao pacote de cortes de gastos públicos e aumentos tributários que entrará em vigor no começo de 2013, caso não haja acordo em contrário.

Pelas últimas pesquisas, a expectativa é de que os democratas mantenham a pequena maioria no Senado, e que os republicanos preservem o controle da Câmara.

Apesar dos problemas na economia, Obama parecia em setembro se encaminhar para uma reeleição relativamente tranquila, depois de demonstrar força na convenção partidária e ver Romney sofrer uma série de tropeços -- inclusive a divulgação de um vídeo, gravado sigilosamente meses antes, na qual ele desqualificava os eleitores de Obama, dizendo serem pessoas vitimizadas e excessivamente dependentes do governo. Naquele vídeo, ele estimava que esse grupo compõe 47 por cento do eleitorado.

Mas Romney se recuperou depois do primeiro debate da campanha, em 3 de outubro, em Denver, onde as críticas certeiras ao presidente e a reação apática de Obama marcaram o início de uma lenta ascensão do republicano nas pesquisas. Obama pareceu retomar o comando da disputa na última semana, liderando a operação federal de socorro às vítimas da tempestade Sandy.

A disputa presidencial agora parece fadada a ser decidida pelo comparecimento eleitoral, especialmente qual combinação de eleitores --democratas, republicanos, brancos, membros de minorias, jovens, idosos e independentes-- aparecerá nas seções eleitorais.

MARATONA FINAL

No último dia de campanha, Obama e Romney percorreram sete Estados decisivos, tentando estimular seus apoiadores a saírem de casa para votar, e fazendo um último apelo aos indecisos.

Obama se concentrou em Wisconsin, Ohio e Iowa, três Estados do Meio-Oeste com os quais, salvo em caso de surpresas em outros lugares, ele conseguiria chegar s 270 votos necessários no Colégio Eleitoral.

Romney visitou Flórida, Virgínia e Ohio, Estados cruciais para uma eventual vitória sua, e terminou o dia em New Hampshire, mesmo local onde, em junho de 2011, lançou sua campanha a presidente.

Após dois dias viajando quase em tempo integral, Obama encerrou a campanha com um comício em Des Moines, Iowa. Foi lá que, em 2008, uma vitória no "caucus" democrata marcou o início de sua trajetória à Casa Branca.

"Volto a Iowa mais uma vez para pedir seu voto. Voltei para lhes pedir para ajudar a terminar o que começamos, porque é onde nosso movimento por mudança começou", disse ele a cerca de 20 mil pessoas.

A voz de Obama ficou embargada, e ele derramou lágrimas ao refletir sobre as pessoas que ajudaram sua campanha.

O último dia de Romney incluiu paradas na Flórida, Virgínia, Ohio e New Hampshire. "Estamos a um dia de um recomeço", disse o candidato, já rouco --era o quinto discurso do dia-- diante de 12 mil seguidores que lotaram um ginásio de Manchester (New Hampshire) para um entusiasmado comício da "Vitória Final".

O denominador comum de ambos os candidatos foi Ohio, o mais crucial dos Estados decisivos, especialmente para Romney. Sem os 18 votos do Estado no Colégio Eleitoral, as opções de vitória para o republicano ficam bastante limitadas.

As pesquisas em Ohio mostram Obama há meses com uma vantagem pequena, mas consistente, motivada em parte pelo apoio dele a um resgate federal do setor automobilístico, responsável por um em cada oito empregos no Estado, e pela boa situação econômica de Ohio, onde o desemprego está abaixo da média nacional, de 7,9 por cento.

Num último esforço para falar ao eleitorado nacional, Obama e Romney gravaram inserções para o intervalo dos jogos de futebol americano transmitidos na segunda-feira à noite, e falaram em tom descontraído da sua torcida pelos times Chicago Bears e New England Patriots, respectivamente.

(Reportagem adicional de Jeff Mason em Iowa; e Patricia Zengerle e Herb Swanson em New Hampshire)

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